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Apatia histórica
Prédio do Centro Histórico de João Pessoa (foto: Francisco França)

Prédio do Centro Histórico de João Pessoa (foto: Francisco França)

Poucas coisas são tão belas numa cidade como um Centro Histórico bem cuidado. Cidades sem a história preservada são de uma apatia que entristece. Até faz bem passear pelas ruas de João Pessoa hoje e encontrar certos trechos restaurados, mas quando a gente vê uma foto como essa (e tantas outras, sempre apresentadas pelo incansável Lauro Wanderley em seu Facebook), a gente percebe que a Praça Antenor Navarro e as redondezas são mesmo é pintadas pra aparecer na novela – enquanto uma fila de prédios históricos mais acima ficam assim, prestes a desabar. Na excelente matéria do Jornal da Paraíba de hoje, que tocou na questão, fica claro que (1) as autoridades responsáveis batem cabeça e não saem do lugar…até mesmo colocando uma ponta de culpa nos donos de alguns dos imóveis – resolvem pouco; (2) há um desleixo com a história que é risível. Na matéria, um engenheiro da Defesa Civil cita a absurda possibilidade: “esbarramos na legislação vigente que nós impede de, por exemplo, adentrar nesses imóveis e demoli-los”. Vamos nessa, todos juntos, demolir nossa história.

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Os cinemas de rua em João Pessoa: a era pré-multiplex

O curta.jp fez album no Facebook que recupera imagens dos antigos cinemas “de rua” da capital paraibana. Os registros históricos estão abaixo e valem muito, em toda sua simplicidade. O amigo Lauro Wanderley ainda me indicou um outro link também no feice: alguém se “achou” numa dessas fotos e revelou: era a estreia de Tubarão e a foto foi apresentada por Edival Toscano.

Estreia de "Tubarão" em João Pessoa

Cine Torre

Cine Brasil - Av Guedes Pereira

Cine Municipal

Cine Plaza

Cine Rex antigo Cine Rio Branco

Tudo isso ainda me fez lembrar o projeto iniciado e parado: um livreto que conte a história da atual cinefilia de João Pessoa, que passa entre essa nossa geração multiplex, os cineclubes (de sempre) e o consumo sem fronteiras, via download. Um dia sai.

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Eu curto João pessoa

Curta João Pessoa from Contra Criativos on Vimeo.

Um vídeo que representa bem o sentimento que tenho tido sobre João Pessoa. Ainda que os índices de violência só aumentem, com o tempo fui aprendendo a curtir mais minha cidade, suas belezas, seus cheiros, suas cores. Me fez relembrar a crônica que escrevi sobre a cidade, há 3 anos.

Tenho dado dicas de coisas que amo na cidade lá no curta.jp, um projeto bacana que surgiu por aqui. Você é de fora? Aproveita e fica de olho pra quando você vier conhecer a Paraíba.

Ficou curioso sobre a trilha? A galera da Contra manda avisar que é a “Go Outside”, do Cults.

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[Crônicas] João Pessoa e seus 425 anos: uma crônica

Há 2 anos atrás eu escrevi esta crônica, chamada “João Pessoa é…”. Tendo em vista que pouca coisa, dos prazeres e belezas da cidade, mudaram de lá pra cá (aumentaram, mas a carga emotiva ainda não é tão grande com as novidades), convido vocês à leitura. A imagem acima, registrada por mim em 2008, é a que melhor representa a cidade no meu olhar. São os ipês amarelos que florecem e duram apenas 1 dia, no parque Solon de Lucena. João Pessoa é isso.

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[Tecnologia] Prefeitura lança “Jampa Digital” nesta sexta. Quais as implicações do projeto?

O mapa de alcance inicial do Jampa Digital
O mapa de alcance inicial do projeto Jampa Digital, a ser lançado na próxima sexta, dia 19.

Laptop na Calçadinha? Ainda não…

Ao som da cantora Pitty milhares de jovens se reunirão na próxima sexta, no Busto de Tamandaré. É a inauguração do Jampa Digital, novo projeto da Prefeitura Municipal de João Pessoa. E a despeito de todas as possíveis segundas intenções políticas que um evento como este traz no ano de eleições, comemoremos: inclusão digital de forma mais direta. Mas quais as implicações?

Em primeiro lugar há uma implicação mercadológica: investir em barda larga sem fio pela cidade é oferecer mais vendas ao mercado de dispositivos móveis em geral (desde iPods, iPebas, iPhones, Ching-lings e afins). O mercado oficial possivelmente ganhará algum plus e o informal também. O Shopping Terceirão deve comemorar.

Foto "promessa" da PMJP: será possível utilizar laptops em praças?Em segundo lugar será possível o desenvolvimento de ações de mídias locativas na cidade: a promessa é que, até dezembro, 85% do território de João Pessoa terá wi-fi grátis. Para além das intenções de governança 2.0 da prefeitura (o que é aplaudível), os usuários poderão se mobilizar mais facilmente no uso territorial da informação. Do mais complexo GPS ao mais simples uso do Google Maps, estará à disposição de quem quiser, a possibilidade de elaborar mapas de ruas esburacadas, ruas não-calçadas, regiões onde há maior índice de determinados problemas, como criminalidade, esgotos quebrados, etc. Ou seja, a informação ganhará um caráter mais informacional, beneficiando os dois lados: os cidadãos que precisam de soluções e o governo que precisa solucioná-los junto ao povo. O poder público está preparado para lidar com esta gama de possibilidades? Provavelmente não, mas o tempo responderá.

Em terceiro lugar, a questão da segurança: eu não estou a par dos índices de assaltos na região da orla de João Pessoa, mas nós sabemos que boa parte da Av. João Maurício não é exatamente segura depois das 19h; o Busto de Tamandaré já foi palco de tiroteios entre bandidos e policiais; a região das barracas na orla do Cabo Branco não é frequentada só por figuras confiáveis. O que dizer? Que será possível utilizar laptop no meio da rua? Não, isto ainda é impossível em João Pessoa. Um smartphone até chega a ser possível, mas (dependendo do horário) ainda me sentiria inseguro se não estivesse dentro do carro. Com o alcance de até 800m para dentro de Tambaú, Manaíra e Cabo Branco, fica claro que o ideal será utilizar dentro dos restaurantes, bares, lanchonetes e hoteis da região.

Em quarto lugar, a questão da banda: não, a Pitty não. Estou falando da banda larga mesmo. A promessa é de uma Internet em alta velocidade, mas a Secom não informa em seu release qual a velocidade de conexão. Garante apenas que cada link aguenta 400 pessoas conectadas ao mesmo tempo. É bem provável que não se tinha uma web para carregar rapidamente vídeos ou ouvir webrádios, mas apenas para consultas rápidas de e-mails e sites noticiosos. É válido, mas a informação poderia ser mais completa: saber a largura da banda é essencial para o desenvolvimento de projetos inovadores que utilizem esta possibilidade.

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Ele estava em Campina Grande

Numa manhã de calor em João Pessoa entrei no ônibus que vinha da praia e nele eu iria em direção ao centro para o trabalho. Escolhi alguma cadeira que me desse esperança de sombra e menos calor, mas o sol não estava pra brincadeiras e sombra já era alguma coisa que fazia parte do contexto de quentura.

Retirei da bolsa Homem no Escuro, último do livro de Paul Auster – autor que aprecio devido à leitura que fiz da Trilogia de Nova Iorque. Estou nos últimos conjuntos de páginas, quando o personagem principal, August Brill, está deitado na cama com sua neta Katya contando sobre seu passado (sobre o qual ela é precisamente curiosa). O livro não está funcionando tão bem quanto o outro que li de Auster, mas o encanto por este personagem misterioso, cheio de narrativas ficcionais sobre sua vida, me prendeu desde o início. A leitura é interrompida por uma dessas conversas de ônibus que sempre me distraem.

- Alô?! Doutor João?

O cara estava exatamente no banco anterior ao meu e falava um tanto alto para quem atende o telefone dentro de um ônibus.

- Doutor, não vai dar não, viu? É que eu tô em Campina Grande.

A leitura foi obviamente cortada para ao menos pensar sobre a situação. Não quero, de modo algum, parecer hipócrita ou algo do gênero com você leitor. Todavia, temos um fato no mínimo curioso se pensarmos em proporções sonoras. O homem falou em altura suficiente para o ônibus inteiro ouvir e, quem estava lá, não deveria ter dúvidas sobre em que ônibus estava e por qual cidade ele percorria. Não iria surgir alguém lá de trás, gritando coisas como “Pô, fui teletransportado para Campina Grande! É hoje que sou demitido do trabalho!”. Ninguém surtou.

Acontece que foi apenas um momento curioso, destes que você vez ou outra se depara dentro de um transporte coletivo. Voltei para Auster e continuei descobrindo mais detalhes sobre o passado de Brill que revelam, de modo natural, suas viagens nas histórias que conta para si mesmo em trechos anteriores.

- Alô?  – o rapaz do banco de trás atende outra ligação. Só se for de helicóptero, porque eu tô em Campina Grande! É, Campina. Tá bom, tchau.

Foi inevitável que neste momento eu fosse influenciado pelas tirinhas de Adão Iturrusgarai na Folha e minha imaginação fosse a mil. Prometo que eu conseguia até ver o ônibus sendo parado por um helicóptero que pousa no teto e dentro dele está justamente o tal doutor Júnior, a quem o fulano do banco de trás deve satisfações. O cara é algum tipo de Jack Bauer que vem conferir a situação e, sem medo algum, desce pela janela pendurado por uma corda e dali mesmo puxa o mentiroso, defenestrando-o para o meio-fio.

- Campina Grande, é?! Beija o asfalto de João Pessoa, canalha – gritava o justiceiro em meio ao barulho das hélices, em tom claramente pastelão.

Quando eu voltei à realidade (que parecia naquele momento ser a leitura de Auster), já estava perto da parada onde precisava descer. Se o homem ao menos estivesse indo a Campina Grande, ele deveria seguir por mais alguns pontos, em direção ao terminal de integração que fica vizinho a rodoviária da capital. Desço do ônibus na Lagoa e como que ainda inocente, me surpreendo com o fato de que ele desceu ali também, logo em seguida. Ele não tinha perna curta, nariz grande, o helicóptero justiceiro não havia chegado e, até onde consigo lembrar, a lagoa do Parque Solon de Lucena ainda fica em João Pessoa.

Ricardo Oliveira

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Wi-fi grátis em João Pessoa

Foi oficialmente anunciado hoje, pelo secretário de ciência de tecnologia do estado da Paraíba, Aguinaldo Ribeiro, o projeto Paraíba Digital. A iniciativa será lançada pelo governador neste verão e consiste em instalar redes wi-fi gratuitas pela cidade. Inicialmente seriam disponibilizadas através da orla marítima, do Cabo Branco até o final do Bessa, para depois também serem instaladas ao longo da Av. Epitácio Pessoa e em toda cidade. O custo inicial é de 1,5 milhões de reais e será totalmente financiado pelo governo do estado.

O projeto é bastante parecido com aquele que foi promovido em junho deste ano no Rio de Janeiro. Por toda a praia de Copacabana estão distribuídos hotspots de wi-fi livre para os transeuntes que disponham de dispositivos prontos para wireless. Ou seja, com seu laptop, iPod Touch, iPhone, ou qualquer outro gadget que disponha do sistema. Depois que a notícia saiu, rolou um bate-papo no Twitter (sim, começamos a ter gente de João Pessoa na rede, yes!) sobre as questões.

A mais importante foi no quesito segurança: não é possível ainda estar tranquilamente (a trema do tranquilo continua?) na praia com seu laptop. Talvez seja mais relax para quem usar Smartphones, Blackberrys e brinquedinhos do gênero. Mas, notebooks, netbooks…hum, não.

Isso, obviamente, traz para o projeto uma discussão mais ampla do que simplesmente dar wi-fi de graça. A segurança será reforçada? Ou será que para acessar a internet na praia eu vou ter de sentar ao lado de um policial militar? Nã.

O projeto visa realizar inclusão digital na cidade e começou pela orla, visando turismo. Um óbvio contrasenso, já que a promessa é que só depois disso, sejam instalados pontos de internet em comunidades carentes. Mas eu realmente não estou com a intenção de parecer negativo aqui. Fiquei sim muito animado com a possibilidade. Só acho que são necessários questionamentos. Sem isso, a gente acaba tendo um péssimo-futuro-serviço.

E vocês, pessoenses, o que acham?

Ricardo Oliveira

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