NADA MAIS POR HOJE.
Há certo tempo que ouvi falar deste documentário pernambucano e agora o encontrei na íntegra (dica de Jully no Facebook). Guarde uma horinha da sua vida e assista este registro que entrevista 9 pessoas que vivem em coberturas pelo Brasil.

Nossa, que título ruim, hein? Mas promete ser um doce documentário, tal qual o filme. Não está entendendo nada?
Segundo o Eduardo Mano, que passou a dica, “é um doc romaceado ficcional 100% verídico”. Mas ele também não viu ainda.

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Salomão, lá em Rorainópolis, aluga um link de 1 MB de Internet a rádio, fornece um pedacinho de cada kbyte pra 100 clientes e ainda o usa o mesmo link em sua lan house. Já o Eres, em Governador Valadares, inovou na sua Funerária Gonzaga, proporcionando transmissões em vídeo de velórios para parentes distantes.
Essas histórias fantásticas estão no belo documentário “É Logo Ali”, sobre as telecomunicações no Brasil. Produzido pela Oi e dirigido impecavelmente por Calvito Leal, o doc foca bastante em mostrar a inusitada e surpreendente relação das classes C, D e E do Brasil com as novas tecnologias. A direção realmente impressiona, com um cuidado em ser poético com sutileza e, ao mesmo tempo, claro na mensagem. Calvito foi diretor assistente do fantástico Miami Vice (nos trechos filmados no Paraguai e Uruguai) e de Dois Filhos de Francisco.
O curta ainda traz depoimentos do Carlos Nepomuceno, um grande analista das Tecnologias de Informação e Comunicação e do antropólogo Carlos Alberto Messeder. A primeira parte você confere logo abaixo e a segunda, clicando aqui. É nela, por sinal, que estão as histórias de Eres e Salomão – figuras incríveis que estão no coro de um Brasil que está mudando. Mudando muito rápido.
O projeto We.Music apresenta o documentário homônimo, que discute mercado, criação, remix e a cibercultura que envolve a nova música. Essencial a quem deseja ouvir e ver a opinião de artistas que já transpiram essas realidades tão mencionadas em seu cotidiano. Xis, Chernobyl, Firefriend, Thiago Pethit e muitos outros, num doc super bem cuidado visualmente e redondinho no conteúdo.


Das cinebiografias trazidas pelo Fest Aruanda (e este ano o pacote foi gordo: de Lula, Filho do Brasil, que abriu o festival na segunda, a Herbert de Perto, que fechará a programação, no sábado), O Milagre de Santa Luzia talvez seja a que escolheu filmar o personagem mais complexo. Tão popular quanto o nosso presidente, tão ou mais importante para a música brasileira quanto o líder dos Paralamas, o biografado em questão se valeu do prestígio e só concordou em se pronunciar na presença de figuras ilustres como Dominguinhos, Sivuca, Patativa do Assaré, Renato Borghetti e Toninho Ferragutti. Sua intimidade com estas personalidades era desconcertante e cada um que lhe conhecesse por um apelido: sanfona, oito baixos, fole, gaita, pé de bode… Também cada um que lhe cumprimentasse de uma maneira diferente: os nordestinos, manhosos; os sulistas, hiperativos. E tudo foi história para Sérgio Roizenblit (presente quarta-feira no festival), que com seu documentário nos apresentou a estrela da hora – não Marcélia Cartaxo, mais tarde homenageada pela organização do evento – mas o acordeão.
O instrumento entrou no Hotel Tambaú escoltado por Pinto do Acordeon, que o leva “encangado” até no nome. O músico deu uma palhinha na abertura da noite e foi responsável por uma das passagens mais marcantes do documentário, quando conta uma anedota envolvendo a música “New York, New York” (numa versão engrolada já conhecida do público através do vídeo de divulgação no Youtube). Outro mestre da sanfona, Dominguinhos, está para O Milagre de Santa Luzia como uma espécie de cicerone, conduzindo a equipe de filmagem por regiões em que o acordeão, mais do que atuar como expressão artística, inaugurou profusas e diversas tradições culturais. Reuni-las é o ponto forte da produção, que só vacila em sua passagem pelo Sudeste, onde poderia retratar melhor o mimetismo do instrumento às culturas dos imigrantes italianos, árabes e japoneses. A cultura dos “retirantes” já está devidamente representada pelo próprio Dominguinhos, que dá um tom emocional ao documentário nas duas vezes em que chora debruçado no fole da sanfona, ao se lembrar de quando deixou Pernambuco e migrou para São Paulo, em busca do Eldorado artístico.
De resto, O Milagre de Santa Luzia pode ser definido pelas mesmas palavras com que, em certo momento do longa, um dos produtores musicais entrevistados por Roizenblit identificam o som da sanfona: um misto carinhoso de dor, saudade e doçura, que certamente honra a memória de Luiz Gonzaga – o tal “milagre” que nasceu no dia de Santa Luzia, sagrou-se rei do baião, e não poderia deixar de ser homenageado pelo filme.

São quinze olhares que compõem o filme “Praia do Futuro” (2008). Cada um de seus produtores traz uma imagem bem pessoal de uma das praias mais famosas do Ceará. O longa de 92 min foi produzido com recursos próprios dos dezoito cineastas cearenses do coletivo Alumbramento e está dividido em quinze episódios. Nesta quarta- feira (10), o TinTin Cineclube irá exibi-lo no cine-teatro Lima Penante, às 19h30, com entrada franca. Mais informações na ABD-PB – 3221-8450 / abd_pb@yahoo.com.br.
Assista um breve trailler do filme “Praia do Futuro” logo abaixo:
PRAIA DO FUTURO
ficha técnica:
Diretores: Wanessa Malta, Guto Parente, Thaïs Dahas, Rúbia Mércia, Luiz Pretti, Ricardo Pretti, Felipe Bragança, Armando Praça, Diogo Costa, Pablo Assumpção, Salomão Santana, Ythallo Rodrigues, Thais de Campos, Fred Benevides, Fernanda Porto, Mariana Smith (…)
Duração: 92min
UF/Ano: CE/2008
Sinopse: Um filme em 15 episódios. Formando um caleidoscópio sobre a Praia do Futuro, o filme traz os olhares e afetos pessoais de cada um dos 18 realizadores.
ESPISÓDIOS
´Eu errei, você errou´, de Wanessa Malta
´Castelo de Areia´, de Guto Parente e Thaïs Dahas
´Pedra´, de Rúbia Mércia
´Valores Imaginários´, de Ricardo Pretti
´Aprender a Nadar´, Salomão Santana
´Vídeo (2008)´, de Pablo Assumpção
´Já era tempo, um filme musical sensual tropical absurdo´, de Armando Praça e Diogo Costa
´Banho de sol para dinossauros´, de Felipe Bragança
´Depois do Fim´, de Ythallo Rodrigues
´p.f´, de Fred Benevides
´Mar Morto´, de Mariana Smith
´A linha da Pipa´, de Themis Memória
´Pequena Grande História´, de Luiz Pretti
´Onde o tempo se perdeu´, de Ivo Lopes
A exibição gratuita de O Rebeliado estava com horário marcado para às 20h em sua noite de lançamento, mas pouco depois das 19h30 o Cine Banguê estava quase lotado. Havia ali um público dividido entre universitários estudantes de comunicação, sociologia e psicologia, e vários membros da igreja do pastor Clóvis.
O assunto retratado pelo documentário, em toda sua polêmica, já estava exposto ainda nos agradecimentos. Clóvis e Fernanda Benvenucci, presidente da Associação dos Travestis da Paraíba, demonstraram ali qual seu posicionamento diante do assunto, em breves discursos menos ou mais enfáticos de cada lado.
O Rebeliado trata, no campo mais visível e óbvio, das questões entre a religiosidade e a sexualidade, do neopentecostalismo brasileiro e do machismo. Há, entretanto, uma questão importante em termos de escolhas de direção e montagem, que permitem uma interpretação posterior, ligado ao que está implícito no discurso do filme: os contrapontos entre razão e fé.
Durante certo trecho do filme, o diretor Bertrand Lira pergunta à mãe de Clóvis se ela aceitaria o filho, caso ele deixasse de ser crente e se tornasse travesti novamente, a qual responde que sim. A pergunta torna-se meticulosa em tendência, já que poucos segundos antes, ela acabara de afirmar que lhe interessava a liberdade das pessoas serem o que quiserem (trecho aplaudido pela metade universitária).
Não se engane: questionar a parcialidade do documentário não interessa, já que imparcialidade na comunicação é um mito que precisa ser extinto. É necessário avaliar, entretanto, se o modo como Clóvis é apresentado não o torna para o espectador apenas uma vítima sofrida e ignorante que poderia escolher o cristianismo, como qualquer outra religião ou caminho para nutrir suas esperanças.
Este ponto precisa ser levantado a partir da perspectiva do pastor sobre o filme: para ele, O Rebeliado é a oportunidade de contar para muitas pessoas o que aconteceu em sua vida.
Na força que há nas cenas finais do filme, vemos, portanto, que não trata-se apenas de contrapontos entre homossexuais e religiosos, mas também entre “esclarecidos” e as escolhas de seus inocentes “objetos de estudo”: o grupo Ôdecasa canta “eu nasci para pensar…” na trilha do filme; “eu acredito no impossível” afirma Clóvis perto do final. Dicotomia clássica que pode, ou não, ser deixada de lado – resta ao espectador escolher.
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publicada originalmente hoje no Jornal da Paraíba.
Ricardo Oliveira