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Para esta sexta e sábado no 4º Cineport

Estômago

Nesta sexta-feira, às 20 horas na Tenda Andorinha. Competindo na categoria melhor filme. Ficção.

Aquele Querido Mês de Agosto

Neste sábado, às 20 horas na Tenda Andorinha. Competindo na categoria melhor roteiro. Ficção.

Andarilho

Neste sábado, às 22 horas na Sala Digital. Fora de competição, na Mostra Brasil. Documentário Poético.

Ricardo Oliveira

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Linha de Passe (Walter Salles e Daniela Thomas, 2008) – 4º Cineport

Linha de Passe (Walter Salles e Daniela Thomas, 2008) **

Não se trata, de maneira nenhuma, de um filme que não se deve dar atenção, pois assim eu estaria o comparando às produções brasileiras da turma da Xuxa ou do Renato Aragão. Mas Linha de Passe tem um maniqueísmo absurdamente inquietante: tudo que é dito, tudo que os cerca, toda a situação não tem profundidade, não tem força narrativa. Os acontecidos passam a sensação de especialmente montadas para resultar na condução de um olhar específico. Existe no cinema uma diferença clara entre ter um olhar e buscar conduzir um olhar. Esta dinâmica se diferencia quando o que acontece na história responde às expectativas do espectador ou o surpreende de forma forçada. O primeiro exemplo se encaixa no que representa o filme de Salles e Thomas. As reações e consequências ao que acontece na vida dos personagens nada mais são do que aquilo que o espectador já acredita, mas precisa ter um “Walter Salles” atestando: que a periferia está na miséria, que mães solteiras sofrem, que motoboys podem se tornar marginais, que evangélicos muitas vezes são hipócritas.

O que temos, portanto, é a formulação de estereótipos num tom descaradamente armado – jogo, no pior sentido que a palavra possa ter no cinema. E não adianta dizer que há algo de Hou Hsiao-Hsien aqui, pois efetivamente não há. Não é de formulação de planos ou escolhas visuais que se forma uma influência de Hsiao, mas sobretudo de um olhar pouco interessado em formular teses sobre seus personagens. Pode-se afirmar, até mesmo, que Hsien faz cinema pouco preocupado em dizer alguma coisa – o que não é, nem de longe, uma realidade para esta obra de Salles e Thomas. O que não é exatamente um problema, desde que se tenha o interesse em construir com o espectador e não entregar tudo pronto. Se a inconclusão final sobre os personagens e certas cenas tem força e beleza própria e poderiam evidenciar isto, de quase nada servem diante dos caminhos confusos que o roteiro e direção do filme traçam como um todo.

Ricardo Oliveira

Assistido na Tenda Andorinha do 4º Cineport no dia 04/05/09.

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A Casa dos Mortos (Débora Diniz, 2009) – 4º Cineport

A CASA DOS MORTOS (Débora Diniz, 2009) *****

Uma das tendências mais comuns no trabalho investigativo de assuntos específicos é o desespero por descobrir as causas. Se o problema é a violência contra a mulher, como em Coragem, Mulher, exibido ontem, há um interesse constante em se descobrir qual a razão deste problema. Não há, sobretudo a partir do ponto de vista jornalístico, um problema nisso. Entretanto, aí está também um complicador: o documentário cinematográfico não é, de maneira nenhuma, apenas jornalismo. Ele deve ser, acima disso, uma construção artística, logo, baseada na subjetividade do olhar. A beleza dos grandes trabalhos deste gênero está justamente na transcendência ao excesso de objetividade, de linguagem referencial. Eis o que é A Casa dos Mortos, da antropóloga Débora Diniz.

Revelar sua profissão já indica algo curioso. Débora não é cineasta. Ela tornou-se a partir deste trabalho. Ela é doutora em antropologia, mas isto tem bastante a ver com o processo que ela escolheu para captação de suas imagens e desenvolvimento do seus trabalho. Ora, A Casa dos Mortos trabalha com a ideia do olhar livre de amarras que delimitariam o dispositivo. Ele se faz arte a partir do momento em que estes presos de um manicômio judiciário deixam de ser “objetos de estudo” e são gente – o necessário para a documentação cinematográfica e para o trabalho investigativo de um antropólogo.

O olhar, portanto, talvez seja o fator crucial para a grandeza do filme. Débora busca que seu caminhar pelo manicômio judiciário de Salvador a partir da perspectiva de Buba, um poeta que pontua o filme com sua narrativa. Ele não surge, a não ser no final, assim como um diretor em seu filme, cujo nome sempre surge nos créditos. Os outros, assim como ele, deixam de ser invisíveis não por aparecerem em imagem, mas porque, a partir do interesse de Débora, tem a chance de ser algo além das delimitações que damos a eles por estarem ali, num manicõmio.

Ricardo Oliveira

Direto da Sala de Imprensa do 4º Cineport. Filme assistido na Sala Digital, segunda-feira dia 04/05/2009.

[UPDATE]: O amigo Zan Jie Lee tuitou algo ótimo: “A Casa dos Mortos” está inteiro no YouTube, com legendas em inglês:

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Para esta segunda no 4º Cineport…

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O SIGNO DO CAOS - clique para mais informações.

As 21h30 na SALA DIGITAL. O último filme de Rogério Sganzerla.

LINHA DE PASSE - Clique para ver o Trailer.

Às 22h na Sala Andorinha. Vencedor do prêmio de melhor atriz em Cannes.

Ricardo Oliveira

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Primeiros filmes vistos no Cineport: obras ousadas e curadoria bem estranha

Os dois primeiros dias de Cineport foram bem loucos, por assim dizer. O sucesso do festival é evidenciado justamente na quantidade de gente que apareceu para ver filmes. Na primeira edição na capital, em 2007, havia ainda aquele clima de desconfiança por quem não é da área e o evento tornou-se popular mais próximo do final, com a presença de Selton Mello e Ariano Suassuna na Usina Cultural da antiga “Saelpa”. Pode-se dizer agora que o festival já está consolidado e o público o respeita. As falhas são naturais para um evento que tem mais gente do que o esperado. Gente por todos os lados, nem que seja só pra rever os amigos. Onde ele poderia acontecer em 2011?

Meu final de semana, graças ao Cineport e às programações que sempre tenho, foi bastante maluco, o que me impediu de escrever algo antes deste domingo. O que não quer dizer, de forma alguma, que isto representa os próximos dias. Muito pelo contrário: a semana será mais amena e vai dar pra fazer muitas coisas legais que já tenho planejado – além das postagens diárias. O Twitter continuou com todo gás e trazendo à tona um novo tipo de reação pessoal: dentro da Sala Digital, onde passam curtas, se o filme está ruim eu paro no mesmo instante pra tuitar. Não entenda mal: é que, em alguns casos, é mais divertido mesmo.

FELIZ NATAL (Selton Mello, 2008) ****

Precisa ficar claro: a direção de Selton Mello é honesta, calcada em conhecimento técnico e, sobretudo, em escolhas que revelam o interesse em fazer do seu cinema algo de olhar seguro e reverente às suas influências. Honesta por não se basear em procedimentos canalhas para exibir seu assunto. Falar da podridão de classe média não é, de fato, nenhuma novidade. O diferencial está, porém, no “como”.

Eis então a técnica. Selton demonstra ser interessado num cinema de fluidez dos corpos pelo espaço cênico (John Cassavetes). É perceptível que, exceto pelas crianças, todos estão constantemente se arrastando – seja por estarem bêbados, chapados ou com sacas de areia nas costas (Lucrecia Martel). Os corpos já não espelem mais desejos ou expectativas, mas o que ficou frustrado. Há intensidade no que é dito neste expelir porque o filme de Selton é como alguém que aperta a ferida pra ver o pus sair. Este apertar algumas poucas vezes levará o enredo a passar do ponto e cair em pequenos exageros, como na cena do discurso bêbado-religioso à mesa – não por ele mesmo, mas por já haver demais do mesmo tom cênico anteriormente. Estas possíveis falhas, entretanto, podem revelar ainda um caminho inevitável: escolher falar do que se fala e do modo como se fala é estar passível de exageros no recorte.

Selton é interessado, por exemplo, em ensaiar sobre quebra de paternidade (vide o final de “Flerte Fatal” do Ira!, o que revela coerência pessoal) e o faz com destreza. O tom das falas nestes casos é duro, mas trabalha acima de tudo com o que não é dito. Apesar de revelar parte do passado de Caio (Leonardo Medeiros) em rápidos flashs, nunca sabemos exatamente o que aconteceu anteriormente ao que assistimos. Isto é uma escolha que, ao meu ver, continua sendo ousada dentro do cinema das obviedades de hoje: o foco narrativo continua sendo sempre baseado no que é dito e muito raramente no que não sabemos.

O espectador continua acostumado a receber tudo pronto. Há muito o que ser dito sobre Feliz Natal e faz-se necessário revê-lo ao longo dos próximos anos: me pegou de jeito.

Flávio Melo e Nanego Lira - Foto de Rizemberg Felipe

O PLANO DO CACHORRO (Arthur Lins e Ely Marques, 2009) ****

Foto: Rizemberg Felipe

Eu não tinha dúvidas quanto a possível qualidade técnica de O Plano do Cachorro. Arthur me conta sobre este projeto desde que ganhou o prêmio do Cineport em 2007. De lá pra cá seria evidente, pelos estudos, cotidiano e prática, que alguma coisa boa sairia dali. O que me deixou ansioso e com dúvidas, era exatamente que história seria essa a ser contada.

São dois cachorros, claro. Mas não sabemos disso até chegar em casa depois da sessão e pensar sobre o assunto. Porque não trata-se, de modo nenhum, de apenas dizer “eles são como cachorros”. Isto é simplista. Assim como seria simplista também da parte de Arthur e Ely se tivessem utilizado essa metáfora como metáfora (todo mundo já conhece o clichê filosófico sobre tratamento entre homens e cães). Mas no caso deles, não é. Para Ely e Arthur, os dois anônimos em cena realmente são cachorros. Isto faz toda diferença, daí a inconclusão final. Você vai esperar o que de cachorros? Que eles se apartam e discutam a relação? Claro que não. Mas o que é, portanto, o cachorro que surge neste trecho (o tal cachorro do “plano)? Um humano? Claro que também não, pois continuaríamos no simplismo. Talvez um olhar humanizado. Nesta barbárie, isto parece restar apenas aos cachorros. Em breve mais sobre o assunto.

NO MAIS… COMENTÁRIOS EM ATÉ 140 CARACTERES E
COTAÇÕES DE 1 A 5 ASTERISCOS SOBRE OUTROS FILMES VISTOS.


NA LATA, de Afonso Manoel da Silva Barbosa e Enver José Lopes Cabral // **1/2

- Cativa pelo personagem e tem uma câmera inteligente, mas oscilante na qualidade.

AMANDA E MONICK, de André da Costa Pinto // ***

- João Carlos Beltrão parece que não erra uma direção de fotografia. Ousado no tema, mesmo parecendo tão montado tecnicamente quanto os travestis.

HISTÓRIA DE PESCADOR, de Lílian Tandaya // *

- Primeiro sintoma de uma curadoria estranha. Do que valem fotos bonitas sem noção alguma do que é cinema ou vídeo?

LÚCIO LINS DE CORPO E BARCO, de André Morais e Jorge Bweres // ***1/2

- Belo e poético nas imagens-ponte, mas tradicional nos planos e captação das falas enquanto documentário.

GOOD NIGHT IRENE, de Paolo Marinou Blanc // ***

- O seu lado mais belo era o onírico que fica pra trás logo no começo. O todo é legal, decaindo bastante em certos trechos desnecessariamente.

N.E.G.O, de Chico Sales e Mayk Nascimento // ***

- Começa frágil, cresce muito no uso da montagem bem-humorada, depois cai novamente. Politicamente necessário.

CORAGEM MULHER, de Mislene Santos // *

- Aqui, agora. Segundo sintoma de uma curadoria estranha.

SWEET KAROLYNE, de Ana Bárbara Ramos // ****

- A doçura é o suficiente para um filme, e como disse Bruno de Salles antes dele começar, uma realidade mais saborosa que muita ficção por aí.

SINÉZIO, o fenômeno, de Otto Cabral // ***

- Câmera-perseguidora; plano-sequência documentarístico; realismo da realidade.

A LÍNGUA LAVRA, de Mônica Fidelis // 0

- Terceiro sintoma de uma curadoria estranha.

ENRAIZADOS, de Niu Batista // **

- Um problema evidente de trilha sonora consideravelmente irritante e bastante comprometedora – ao ponto de complicar a obra inteira.

O PLANO DO CACHORRO, de Arthur Lins e Ely Marques // ****

- Bela lição de decupagem até para os mais veteranos no assunto.

AOS PEDAÇOS, de Taciano Valério // ***1/2

- Com este, Valério atesta-se pra mim como alguém que tem muito a mostrar e dizer.

ESSAS MULHERES, de Allyson Viana, Carol Caldas, Janaína Aires, Jéssica Nascimento, Lucas Pontes, Maria Silva // 0

- Quarto sintoma de uma curadoria estranha.

FELIZ NATAL, de Selton Mello // ****

- Corpos que se arrastam. Um filme sobre zumbis disfarçados tirando as máscaras.

Os filmes cujo comentário refere-se à curadoria do festival passeiam pelo frágil, complicado e bastante ruim. O que isso tem a ver com a curadoria? Veja, não significa que numa seleção de filmes do audiovisual paraibano não possam haver obras ruins (já que elas também continuam revelando esta conjuntura), entretanto, é impossível este caso. Isto por questões técnicas básicas (como a diferença de imagens entre uma miniDV e uma filmada em câmera digital amadora). Sintomático notar que a coisa passou de qualquer jeito.

Ricardo Oliveira

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Programação Completa 4º Cineport – horários, datas e locais

O Diversitá já começou uma cobertura completa do 4º Cineport em João Pessoa. Trata-se do maior festival de cinema que nossa cidade aporta, sendo também um dos maiores do Brasil, já que é Internacional. O festival acontece durante 9 dias em diversos locais da cidade, sendo seu ponto principal a Usina Cultural da Saelpa, na Torre. São mostras competitivas, panoramas, homenagens, longas e curtas metragens de ficção e documentário. Um panorama ótimo com o que há de melhor no cinema paraibano, nacional e dos países que tem o português como idioma. Ou seja, imperdível.

Aqui no blog você pode acessar a programação completa através do Calameo (clique no livrinho abaixo) ou baixando o PDF gratuitamente com toda programação.

Além disso, teremos diariamente posts com tudo que está rolando de legal por lá, sejam críticas dos filmes, observações gerais sobre a festa, incluindo entrevistas em Podcasts, Videocasts e muitas tuittadas via celular. Fique ligado, será muito conteúdo multimídia e convergente pra você usufruir!

Programação completa do festival: Basta clicar no livro abaixo, aqui ou, caso queira baixar o PDF direto, clique aqui. Para navegar, use o scroll como zoom e o próprio movimento do mouse para passear pelas páginas. O sistema ainda permite que você faça marcações nas páginas, com aquilo que você achar de melhor!

Ricardo Oliveira

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Trailers dos filmes da mostra competitiva do Cineport – Troféu Andorinha

Selecionei aqui no blog os trailers disponíveis no YouTube dos longas que concorrem na categoria Troféu Andorinha, do 4º Cineport. Apenas três deles não estão disponíveis na rede, os filmes Mal Nascida, Love Bird e As Duas Faces da Guerra. No mais, segue o presentinho pra vocês.

CHEGA DE SAUDADE

OS DESAFINADOS

A ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO

ESTÔMAGO

LINHA DE PASSE

MEU NOME NÃO É JOHNNY

NOME PRÓPRIO

O MISTÉRIO DO SAMBA

CALL GIRL

A OUTRA MARGEM

GOOD NIGHT IRENE

AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO

Por falar em Cineport guarde as seguintes novidades: (1) aqui do lado direito agora você tem um box que tem todos os Tweets que usam a palavra/tag “Cineport” no Twitter. Isso quer dizer que tudo que falaram sobre o festival estará aqui; (2) o blog dará cobertura do evento em tempo real usando Twitter e Gengibre! Se você estiver por lá com 3G ou estiver em casa sem saber o que está rolando por lá, fique ligado no box do Twitter e no player do Gengibre aqui. Gengibre é um twitter de áudio, onde é possível gravar mensagens de audio de até 6 minutos (quer participar Twittando pelo celular? Conheça o SMS2Blog).  (3) Durante o festival inteiro estarei por lá assistindo tudo que conseguir pra trazer as melhores resenhas pra vocês, resumos do dia, além de entrevistas sempre que for possível, tudo será publicado aqui.

Sempre digo, mas não custa nada lembrar: isso aqui é jornalismo independente, mas é opinativo. Isso quer dizer que, no geral, vou ser parcial mesmo e não me preocupo com neutralidade utópica. Entrevisto quem me interessa, e não as estrelas da Globo que estejam por lá – considerando, entretanto, que talvez me interesse entrevistar uma estrela da Globo ; ).

André Cananéa divulgou a programação (agora com horários) do primeiro dia de festival, sexta-feira. Como ainda não recebi, não posso passar pra vocês ainda, mas quem está curiosíssimo, corre lá!

Até lá!

Ricardo Oliveira

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