Archive for February, 2012
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Novo clipe do Mute Math, “Allies”

Só pra não perder o hábito. Aliás, quem não leu a entrevista com eles na Relevant Magazine…leia.

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Rápido e rasteiro: últimos filmes

Melancolia, de Lars Von Trier | Cinema

Acho que há alguma destreza em nos envolver com o clima que deseja – apocalíptico. Porém, nada e morre na praia com Justine e Claire. Na segunda parte do filme, a certa altura, eu já clamava pra que ele terminasse. Não aguentava a sequência de diálogos pretensiosos; essa tentativa infinita de nos fazer sentir aquilo que Trier quer transmitir através do filme – sem que seja feito de forma crível. Posso soar tolo acusando-o disso, mas é inevitável pensar dessa forma com a conversa entre Justine e Claire, quando a personagem de Kirsten diz que sabe das coisas. Ah, vá.

A Separação, de Asghar Farhadi | Cinema digital

Não há maquiagem para a dor neste cinema iraniano, muito menos metáforas sobre a política. Ao menos não me chega desse modo. Acho que nele há, sim, a vida mostrando o que é, escancarada em tamanho gigante diante de quem assiste. Você ficará sem chão durante a maior parte de A Separação. Assistindo, eu tinha a impressão de que o filme se preparava para aquele grande plano final, que iria ser síntese de toda a bagunça que assistimos – e que parece não ter fim.

A Garota Ideal, de Craig Gillespie | DVDRip

Assisti-lo pela 3ª vez só me fez ter certeza de que este é um dos filmes da minha vida. Não é uma obra-prima de cinema, mas é mais cheio de vida que a maior parte dos filmes que passamos tanto tempo vendo. Um pequeno conto sobre pequenos cristos. Uma cena em especial dessa vez me chamou atenção e conto outra, primeiro, para contextualizar: Lars está na cozinha com seu irmão e comenta que na cultura de Bianca, há alguns rituais de passagem que são importantes e ele acha isso algo legal. Então ele pergunta: “o que faz com que tenhamos certeza que nos tornamos homens?”. A resposta importa bem menos que a pergunta. Lars está ali mostrando que está começando a entender que ainda é apenas um adolescente no corpo de um homem adulto de bigode. Na cena a seguir, no escritório, dois colegas de trabalho estão ainda brigando de “quem pegou meu brinquedo?” e o seu colega de báia “esganou” o ursinho de pelúcia da paquera retraída de Lars. Adolescentes trabalhando. Lars vai até a copa e a moça está chorando diante do ursinho enrolado com um cabo USB. Ela diz que não está chorando só por isso, mas porque havia acabado o namoro. Lars, enquanto a moça abre seu coração, remove o fio do pescoço do ursinho e começa a trata-lo como um paciente em atendimento de urgência. Faz respiração boca a boca, massagem cardíaca, escuta a respiração, brinca com a dona do urso. Ela, como Lars, é uma adolescente que ainda leva ursinhos de pelúcia para enfeitar a mesa de trabalho e “brinca” de esconder os action figures do colega. Mas Lars, ali, de repente passa a agir com um carisma, atenção e cuidado, que antes não pareciam lhe interessar. Age como o seu irmão diz na cena anterior: “Você ainda tem o lado infantil por dentro, mas você cresce quando decide fazer a coisa certa. E não só o que é certo para você, mas para todos”. O urso, a boneca Bianca, o cachecol feito pela mãe – todos objetos que simbolizam um pouco do que Lars é e do ritual de passagem que ele precisa e está vivendo.

A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorcese | Cinema 3D

Não acompanho o cinema 3D com grande afinco, porque as experiências geralmente são negativas. Mas apenas três filmes que vi me pareceram pensados calmamente para a tecnologia: Avatar, Enrolados e, agora, este Hugo de Scorcese. Era fantástico ter ao meu lado um colega que não parecia muito entrosado com a tecnologia, babando com a soma perfeita do diretor: saber filmar em 3D, junto a uma paixão por cinema e uma honrosa e fantástica homenagem a George Méliès. Apesar dos dois amigos funcionarem muito bem juntos, acho Isabelle uma personagem meio entediante, chata. Tudo pra ela é maravilhoso toda hora, com um exagero quase teatral. Bastava muito menos para mostrar que ela tem a alegria que falta ao solitário Hugo e aos seus padrinhos. Mas é saboroso ver Scorcese (um cineasta que é conhecido como um pesquisador que preserva a história do cinema, restaurando filmes clássicos) fazendo um filme como este. Hugo é não menos que uma pausa no seu processo autoral para nos dar um belo sermão sobre a importância da história deste cinema que, em meio ao encanto com as novas tecnologias, não pode esquecer da história de um Méliès, por exemplo. É belo, belo…e a cena do aquário já é inesquecível.

Kill Bill Vol. 2, de Quentin Tarantino | Blu-ray

Não consigo achar o segundo filme uma obra-prima como o primeiro. O que dá pra notar é que, diferente do primeiro, este é um filme bem mais direto. Tarantino mesmo o define como o filme das explicações, das histórias sobre quem são essas pessoas misteriosas que conhecemos no primeiro filme. E torna-se interessante perceber que Tarantino escolhe não contar nada sobre o passado dos personagens, como fez com O-Ren Ishii no primeiro filme. Não sabemos a história de Bill ou das origens da noiva, ou de quem quer que seja. O ele nos conta? Apenas o que acontece entre eles. O primeiro filme é uma obra de ritmo frenético, de encanto cinematográfico pela ação, pela destreza na mise-en-scene. Aqui, temos tudo isso, mas com outro ritmo, bem mais western. É uma delícia de ver.

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A Pele que Habito, de Pedro Almodóvar (2011)

A Pele que Habito

É como se Almodóvar absorvesse algo de Brian De Palma (de “Femme Fatale”) e Georges Franju (de “Os Olhos Sem Rosto”). Era essa a sensação que tinha vendo A Pele que Habito. Estou em débito o diretor há tempos e ainda não resolvi isso por inteiro. Dele, acho que vi apenas o terrível “Matador” (dos anos 80) e a obra-prima “Fale Com Ela”. Mas que maravilha é assistir essa fita complexa que é “A Pele que Habito”. O filme não se entrega nada fácil, construindo seu mundo e seus tempos sem obedecer alguns critérios, propositalmente. Alguns atores são todos muito semelhantes, trazendo a sensação de que Almodóvar parece desejar: que tenhamos, constantemente, a impressão de que são duplos, de encanto com rostos belos, cândidos e que, como os personagens que sempre estão a observar e contemplar imagens em telas, sejamos nós como eles – na tela maior. E por não entregar tudo, como sempre, fica a nós o sabor de pensar sobre o que não foi contado no filme: as motivações, as reações e os porquês. Tentar decifra-los é a delícia.

Filme visto na Mostra Noite de Estreia, no Cinebox, Manaíra Shopping.

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Noite de Estreia: Trier, Kiarostami, Almodóvar… em 35mm!

Quem é cinéfilo em João Pessoa, ainda com a vinda da rede Cinespaço, sofre. Sofre porque lê blogs dos amigos cinéfilos do sudeste e vê aquelas listas intermináveis de filmes 5 estrelas vistos nas mostras de SP, RJ e Tiradentes. Nacionais e internacionais em competição, além das mostras especiais de grandes diretores. Recentemente foi a vez de Hitchcock, Eastwood e Kubrick. Tudo em 35 mm. No máximo alguns vêm para Recife, mas correr pra lá à noite está ficando cada vez mais perigoso com os assaltos na estrada.

A última grande notícia de programação cinematográfica que mexeu com a cinefilia da capital foi a primeira edição do Cineport, em 2007. O festival veio cheio longas e curtas legais, nacionais e internacionais, pra se ver em 35 mm. De lá pra cá, até mesmo a programação do Cineport ficou sem graça.

Até que se vê, de repente, uma novidade inesperada: o Box Cinemas, que nunca foi um referencial na cidade em trazer filmes fora do circuito blockbuster, firma uma parceria com o Tintin Cineclube e traz a mostra Noite de Estreia. Estreia, que até onde se sabe, perdeu o acento, mas não perdeu a classe nessa mostra.

A Pele que Habito, Melancolia, Cópia Fiel…

Tudo em 35 mm.

Termino aqui.

Confira a programação completa e os trailers dos filmes que eu mais quero ver:

PROGRAMAÇÃO:

Dia 10/02 (Sexta-Feira)
18h00 – A Pele que Habito, de Pedro Almodóvar
20h30 – Cópia Fiel, de Abbas Kiarostami

Dia 11/02 (Sábado)
18h15- Cópia Fiel, de Abbas Kiarostami
20h30 – A Pele que Habito, de Pedro Almodóvar

Dia 12/02 (Domingo)
18h15- Balada de Amor e Ódio, de Álex de la Iglesia
20h30 – Melancolia, de Lars Von Trier

Dia 13/02 (Segunda-Feira)
18h00 – Melancolia, de Lars Von Trier
20h30- Balada de Amor e Ódio, de Álex de la Iglesia

Dia 14/02 (Terça-Feira)
18h45- Filhos de João: O Admirável mundo novo baiano
20h30- Gainsbourg- O Homem que amava as mulheres

Dia 15/02 (Quarta-Feira)
18h30- Trabalhar Cansa
20h30- Filhos de João: O Admirável mundo novo baiano

Dia 16/02 (Quinta-Feira)
18h00- Gainsbourg- O Homem que amava as mulheres
20h30- Trabalhar Cansa

Cópia Fiel, de Abbas Kiarostami

A Pele que Habito, de Pedro Almodóvar

Melancolia, de Lars Von Trier

Trabalhar Cansa, de Juliana Rojas e Marco Dutra

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