Archive for September, 2011
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Programação completa do Cineport 2011 e os meus destaques

Enfim temos a programação completa do Cineport 2011, que acontece de 19 a 25 de setembro em João Pessoa, na Usina Cultural Energisa. O festival é, sem dúvida, um dos mais significativos do Brasil, por agregar obras íbero-americanas e uma extensa competição com produções paraibanas dos últimos 2 ou 3 anos. Esse ano, porém, nos parece que a programação caiu um pouco, não trazendo uma seleção apurada do circuito nacional. Digo isso porque, nestes últimos dois anos, tivemos um ritmo acelerado na cinematografia brasileira, considerando todo avanço da produção em digital. Não vou gastar tempo, porém, falando de tudo que faltou. Vamos celebrar as exibições de:

“Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”

de Karim Ainouz e Marcelo Gomes (quarta, 21)

Enfim a oportunidade de assistir por aqui, numa exibição digna, este cultuado filme experimental de Karim e Marcelo. A experiência foi péssima no Fenart de 2009 e agora pode ser recuperada.

“Como Desenhar um Círculo Perfeito”

de Bernardo Sasseti (quinta, 22)

A dica foi do colega Rodrigo Laurentino, via Twitter. O filme já passou por festivais nacionais e conta a história de um incesto entre irmãos.

“José e Pilar”

de Miguel Gonçalves  (quinta, 22)

O elogiado documentário sobre Saramago e sua esposa, Pilar – que estará no festival, lançando o longa em nossas terras.

“Transeunte”

de Eryk Rocha (sexta, 23)

O premiado longa de Eryk chega aqui para nos fazer felizes. Só pelo trailer já dá pra criar bastante expectativa pela inventividade.

“A Alma do Osso”

de Cao Guimarães (sexta, 23)

Cao segue em frente com seu projeto de documentar experimentando a dilatação do tempo, a estética diferenciada e seu interesse pelos seres errantes deste planeta.

“O Agreste”

de Paula Gaetan (sexta, 23)

Ainda sem trailer disponível, o novo filme de Paula é com Marcélia Cartaxo andando pelo agreste nordestino, encontrando com a natureza e outras figuras femininas.

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“Planeta dos Macacos: A Origem”: uma cena [#spoileralert]

Spoiler alert: não leia o texto se você não viu o filme.

Tudo se resume à beleza contida na última cena do filme, conduzida dignamente pelo desconhecido Rupert Wyatt. Depois da rebelião vitoriosa de Ceasar e seu time, Will Rodman vai em busca do símio na floresta de secóias. É atacado por um guardião do líder, que leva um safanão do próprio Ceasar, em defesa do cientista. Ao chão, Will recebe a mão estendida do primata para erguê-lo. É na troca de planos, quando o cientista se levanta, que temos um entendimento do que a história nos propõe. Ceasar tem a altura de Will, não necessariamente por ter crescido, mas por ter se erguido (“rise”).

Se “inversão de papéis” sempre foi um mote fortíssimo da série, agora esse tom fica um pouco menos presente para dar espaço a um ritual de passagem inesperado; se o filme muda de protagonista a partir do 2º ato, é porque quer que no momento em que Ceasar diz, murmurando ao ouvido de Will, “Ceaser is home”, nós tenhamos certeza absoluta que concordamos com ele; se Will realmente se considera o pai de Ceasar, ele não fez nada mais certo do que concordar sem tremer e deixar seu filho criar asas. É exatamente por isso que, por fim, o símio sobe até o ponto mais alto, da mais alta secóia e observa a cidade, com postura humana, com olhar reflexivo humano e parecendo entender tudo sobre humanidade.

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