Archive for August, 2011
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Confissões de uma mente perigosa (2): ressurreição

Rob Bell descontruindo o jeito como se fala sobre certas coisas “saturadas”. Vale o play.

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As fórmulas e o coração de J. J. Abrams em “Super 8″

J.J. Abrams é um diretor de fórmulas. Ele já deixou isso claro em algumas de suas falas – sobre como ele admira a ideia de uma “caixa enigmática” e qual a força que isso pode ter numa história. Para Abrams, faz toda diferença saber guardar uma informação num enredo, para que tudo seja revelado na hora certa (“o mistério é o catalisador da imaginação”, diz ele). Aprendeu com Hitchcock, que sempre comentava: por que mostrar um ambiente inteiro, se podemos começar apenas com parte dele e, no momento certo, ter um plano-geral que revela algo extremamente importante?

Abrams nos diz ali, que é nos ensaios onde está a verdadeira vida do cinema – e captando tudo isso faz da metalinguagem do seu filme algo admirável.Toda dinâmica de Super 8 é baseada nessa premissa. Tudo que nos surge (a garota que Joe admira; um professor de ciências; um acidente e vários incidentes) tudo é sempre índice, pista, signo de algo maior por se revelar e tem hora certa para acontecer. E na carência de rever a sensatez do Shyamalan de A Vila ou Sinais nos últimos anos, é uma delícia ver isso na tela.

J.J. Abrams é um diretor de fórmulas, mas isso não é necessariamente negativo. O cinema é feito de fórmulas.

Super 8 é um filme que se declara como de gênero em sua totalidade. Sci-fi, Thriller ou Mistery para os americanos… Para os brasileiros existe uma relação emocional que poderia enquadra-lo facilmente na ideia de “gênero sessão da tarde”. A fita tem cheiro de infância, de nostalgia. Sensato o comentário do colega Chico: “Super 8 é um filme perdido no tempo. É retrô porque quer e porque somente poderia ser assim. Se fosse situado nos dias de hoje, essa aventura infanto-juvenil pediria tantos gadgets tecnológicos que a história ficaria em segundo plano”.

J.J. Abrams é um diretor de fórmulas, mas ele tem coração. Está lá o mesmo conflito entre pai, filho e a separação/perda da figura materna no seio familiar. A paixão pelo mistério, a curiosidade e a descoberta do mundo: o cinema. Elle Fanning sendo maquiada por Joel Courtney é de suspirar, com tanta doçura saindo da tela. Segundos depois é a mesma Fanning que nos tira todo o fôlego (nós, testemunhas da poltrona e a turma do Joe) simplesmente ensaiando sua fala e experimentando atender o pedido do adolescente diretor (alter-ego?): chorar em cena. Abrams nos diz ali, nas entrelinhas, que é nos ensaios onde está a verdadeira vida do cinema – e captando tudo isso faz da metalinguagem do seu filme algo admirável.

Se J.J. Abrams é o diretor das fórmulas de sucesso de Lost, Alias e Star Trek, é com Super 8 que ele chega à plenitude de unir mistério, ação, fascínio, nostalgia e paixão pelo cinema num único filme. Ele referencia Spielberg, Joon-ho Bong, o cinema dos anos 80, mas também se autoreferencia (o pai se chama Jack e inesperadamente tem que gerenciar a crise de um grande grupo?) para mostrar o quanto acredita em seu projeto autoral.

É com aquela antológica cena final, do colar (exalando “redenção” pela película), que chegamos à conclusão, sem medo: J.J. Abrams não é um diretor de fórmulas, mas um diretor de cinema.

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Decida qual a identidade visual do Festival Mundo 2011


O festival de música independente que já se consolidou como um dos mais importantes do nosso Estado, começa sua divulgação com uma enquete na web. Aqueles que acessam o site oficial do Festival Mundo 2011, são convidados a votar via redes sociais, na “cara” que querem para o evento neste ano. A estratégia é bacanérrima, além de tendência de redes sociais como estratégia de viralização. A assinatura do hotsite é da Soda Virtual, a mesma tchurminha que aprontou altas aventuras em 2010 reformulando a identidade visual do festival.

Eu votei na Cosmonauta, que está na frente. E vocês?

 

 

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3 vídeos do Lolapallooza 2011 para animar sua segunda-feira

E tem muito mais aqui. Nesta segunda devem sair os vídeos do show do Foo Fighters.

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Confissões de uma mente perigosa (capítulo 1): evangelho

Isso é Evangelho. Cuidado, é a indicação de uma mente perigosa.

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Resenha do disco “O Destino Vestido de Noiva”, de Fábio Góes

Música de refrão, com qualidade*
por Ricardo Oliveira

Foi em 2009 que conheci o som do Fábio Góes, de maneira pouco habitual. Na época eu trabalhava no Vida & Arte e por algumas semanas ouvi na TV uma música que tocava num comercial de automóvel. Era um poprock grudento e bom de cantar junto. Dava pra sentir que era algo bem cuidado, mas feito pra ser simples e se fixar junto ao conceito publicitário. Descobri, via Google, que a canção se chamava “Pictures” e assim se revelava o som do “FGóes”, como era conhecido pela web. A história explica parte da experiência que é ouvir hoje o lançamento “O Destino Vestido de Noiva”.

Há uma raiz pop no novo disco de Fábio Góes e, dependendo da faixa, é raiz exposta ou subterrânea. Certos arranjos e texturas musicais têm evidentemente a postura de um som que pode tanto tocar na novela das sete, como embalar um filme de um diretor independente de bom gosto. Não é novidade: Góes tem o dedo em trilhas de fitas como “Não Por Acaso” e “Cidade de Deus”.

“O Destino…” tem a marca de uma música feita com alma e isso é perfeitamente notável nas letras do disco. Todas as composições são de Fábio, em tom bastante intimista, falando de suas experiências como pai e marido, mas sem hermetismo e preocupado em ter refrões pra cantar junto.

Se em faixas como “Frágil” (a melhor do disco) há arranjos influenciados pelo britpop europeu, ouvimos também em “A Rua” pitadas de brasilidade vindas de Ben Jor. A canção de trabalho, que abre o disco, “Tão Alto e Fora do Lugar”, junto ao instrumental de “Incenso” (que lembram o Phoenix de “Fences” ou “Love Like a Sunset”), trabalham sonoridades que fazem falta à música nacional contemporânea. Ainda assim, o disco “sofre” com as facilidades das novas tecnologias: a produção musical merecia timbres mais orgânicos e menos digitalizados. A ideia do registro simples, caseiro e saboroso de “Sonho” deveria permear mais a obra de Góes.

E assim, com as devidas diferenças musicais, o cantor agora entra no hall dos interessados em fazer “música de refrão” com qualidade. Um pop muito bem-vindo.

*Publicada originalmente no caderno “Vida & Arte” do Jornal da Paraíba de hoje.

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