Archive for January, 2011
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Indicados ao Oscar 2011: comentários e algumas apostas

Dois anos seguidos com animações da Pixar indicadas entre os 10 melhores filmes no Oscar. Estamos felizes, mas queremos mais: ainda que eu seja um fã de A Rede Social, é Toy Story 3 que merece a consagração não apenas de um grande estúdio, mas desta bela trilogia. Abaixo, mais comentários e algumas apostas às principais categorias do Oscar 2011.

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[Cinema] Sobre “Enrolados” e o novo CinEspaço do Mag Shopping

Mostrando que é capaz de fazer animação 3D sem estar necessariamente ligada a Pixar, a Disney nos aparece com o belo Enrolados. Isso porque essa major tornou eterna sua escola que sempre uniu técnica e habilidade em contar histórias. Em meio a bons anos de dilema sobre fazer filmes em 2D ou 3D, lança na sequência duas pérolas de animação, cada uma usando uma das técnicas. A Princesa e o Sapo[bb] nos trouxe, em meio ao luxo da modelagem tridimensional, o brilho do traço e da tinta outra vez. Já em Enrolados, a Disney toma para si a postura de revisitar sua própria obra e, sem a necessidade do tique-dreamworks de referências-pop explícitas e já sem graça.

Assim, recebemos um filme carismático e cheio de postura Disney no modo de contar história, de envolver canções, de ser crítico e sutilmente reflexivo sobre valores e costumes. O importante aqui sempre é divertir e o 3D cai bem nesse caso. Não usa dos clichês do formato, não fará falta nas sessões tradicionais, mas sabe quando chegar e lançar algo no momento que precisamos de uma sensação específica.

A surpresa é que a tríade de direção e roteiro não é exatamente experiente (tem filmes como Bolt e Carros[bb] no currículo), o que raramente compromete o filme. Nathan Greno e Byron Howard (diretores) sabem criar climas de tensão que nos esmiuçam na cadeira e, ao mesmo tempo, constroem belíssimas cenas de leveza ou das que arrancam risos. Por várias vezes fazem uso de um tipo de plano geral que faz alusão a esquetes de teatro (como acima), abusando do bom humor. O trecho do encontro de Rapunzel com o cavalo Maximus, ou na tentativa de colocar Flynn no armário demonstram o que quero dizer.

Destaque, aliás, para dois coadjuvantes espetaculares: um que brilha do começo ao fim, o cavalo Maximus (que é, obviamente, o Scooby-Doo disfarçado) e o camaleão Pascal, que merecia mais espaço no clímax. O pequeno verdinho é uma “consciência” da protagonista que poderia brilhar mais.

Um encanto para os olhos e cheio de vigor no modo de contar sua história, Enrolados nos faz torcer para que a Disney continue assim, sendo Disney.

CineEspaço no Mag Shopping: alternativa com conforto
e curadoria dedicada ao cinema fora do eixo

Assisti Enrolados na noite para convidados que inaugurou o novo CinEspaço, no MagShopping. Rede administrada pelo mesmo Adhemar Oliveira do Espaço Unibanco Artplex, chega a João Pessoa com ambiente agradável, unindo a já agradável brisa do Mag, ao conforto de ver blockbusters e filmes geralmente desprezados pelo circuito no mesmo lugar.

Sim, a rede promete que suas salas valorizarão o cinema nacional e o conhecido “de arte”. Na estreia desta sexta já consta o francês O Concerto, dois nacionais, além do novo Woody Allen. Obviamente que essa escolha muito me agrada e merece os parabéns. Possibilidade de comprar ingressos online e cadeiras numeradas estão entre as ofertas diferenciadas. Na ótima noite de abertura não tivemos, contudo, como conferir a qualidade do atendimento de bilheteria, bomboniere e afins. O que esperamos, naturalmente, que também seja o esperado: agradável como a chegada deste novo espaço de cinema.

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[Top2010] O que mais gostei entre os filmes que vi no ano passado

Os que mais gostei, em ordem alfabética e sem muitas firulas..uns 15 filminhos aí pra vocês. Nos links, todos os trailers.

Demônio (John Erick Downdle)

Joguem tomates, mas acho excelente.

A Fita Branca (Michael Haneke)

Um Haneke despreocupado em nos inquietar logo de início, deixando a corda apertar mais lentamente até chegar onde quer.

Guerra ao Terror (Kathryn Bigelow)

O filme dono das cenas mais tensas de 2010.

Um Homem Misterioso (Anton Corbijin)

Não lançado nos cinemas brasileiros, passou despercebido. Muito do cinema de Jean-Pierre Melville e, consequentemente, nos lembra Michael Mann. Clooney fazendo o que sabe fazer melhor: sua perfeita cara de nada.

Ilha do Medo (Martin Scorcese)

Quem resiste a um Scorcese experimental, mas seguro de si?

O Lobisomem (Joe Johnston)

Subestimado, é uma pérola que retorna muito bem ao mito.

Lunar (Duncan Jones)

Filme-solidão que nos surpreende ao se transformar numa crítica, vinda do futuro, para contextos atuais.

Mother (Boong Joon-Ho)

Joon-Ho, gênio. O cineasta especialista em criar climas e subvertê-los através da mistura de gêneros cinematográficos.

Onde Vivem os Monstros (Spike Jonze)

Como filmar as angústias de uma criança, com doçura.

A Origem (Christopher Nolan)

Um filme de assalto, um drama, um filme de ação, que tem uns sonhos aí. Nolan crescendo.

A Rede Social (David Fincher)

Fincher gosta de filmar as coisas que estão às escuras e sabe fazer isso muito bem.

Scott Pilgrim Contra o Mundo (Edgar Wright)

Wright aprendendo a potencializar suas manias em algo muito, muito divertido.

Sherlock Holmes (Guy Ritchie)

Aqui, Ritichie aprendendo que menos pode ser mais. Tirou 50% das suas firulas e continua sendo um grande artesão de personagens.

Toy Story 3 (Lee Unkrich)

Como contar histórias? Assim.

Tropa de Elite 2 (José Padilha)

O mais admirável no cinema de Padilha dentro do contexto nacional é sua capacidade de fazer cinema de gênero. Seu cinema é policial e, por contexto, é político. Mais maduro.

Não vi e poderia estar aqui: The Town, Uncle Boomee, O Segredo dos Seus Olhos, Vincere, Vício Frenético.

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[Top2010] Música: os “melhores” álbuns do ano passado

Já em meio ao verão 2011 chega atrasada a hora de relembrar o que de bom rolou na cultura pop nacional e gringa de 2010. Ao contrário dos anos anteriores, quando eu pelo menos tentava me dedicar a consumir uma boa parte dos discos e filmes mais mencionados, neste ano isto foi impossível. Sendo assim, torna-se injusto qualquer tipo de lista chamada de “O melhor”. Papeando dia desses com o amigo Tiago Germano, que ano passado contribuiu brilhantemente com um Top 20 com os melhores álbuns nacionais de 2009, ele parece estar no mesmo ritmo: o bom é falar do que a gente gostou e pronto. Se os mesmos nomes também estão em listas “oficiais” por aí, beleza. Sendo assim, vamos lá.

Música Nacional

Foi um ano de descobertas interessantíssimas na música nacional. Fazia tempo, muito tempo, que eu não ouvia tantos CDs bons. Fiz bons achados nas recomendações da lista de Tiago, em 2009, mas a maior parte não passou da primeira audição. Em 2010, porém, alguns nomes me surpreenderam. E o melhor: são artistas lançando seus primeiros álbuns.

Efêmera, de Tulipa Ruiz, é uma quase-obra-prima evidentemente rara na música nacional. Ainda que case em certas tendências da sua geração e se encontre com a trupe chamada de Novos Paulistas, é um disco diferenciado: é pop sem medo, mas pop com categoria. Sabe onde quer chegar, com um bom humor permeando letras doces e bem elaboradas. A cozinha instrumental, praticamente familiar (seu irmão e pai tocam na banda) é impecável e retornam a sonoridades vintage sem afetação da boa música nacional. Tulipa canta muito e, sempre encantadora no ao vivo, tem a assinatura de muita gente pra ficar por aí e nos trazer mais música efêmera-eterna.

No rock, os sulistas do Apanhador Só vieram com um debut que, aos ouvidos menos atentos, seria enquadrado na tag “bandas pós-hermanos” – o que é bastante injusto. Sim, devem a Camelo e Amarante, mas está longe de ser só isso. Apostam nas letras com narrativas que soam quase non-sense, permeados por seus interesses em mesclar “música nacional com rock” (e lá vai mais outro clichê ligado aos hermanos). “Peixeiro” e “Maria Augusta” tocam repetidas vezes na playlist, mostrando que a cena portoalegrense pode trilhar outros rumos além da Cachorro Grande e Bidê ou Balde.

Feito pra Acabar, de Marcelo Jeneci é o terceiro álbum de estreia deste texto e isso me empolga. É sinal de que no mar gigante de independentes que agora trilham os caminhos do MySpace (ele ainda vive para este fim ou o YouTube é o novo rei?) no Brasil, ainda tem muita coisa a se descobrir. Jeneci já era parceiro de Arnaldo Antunes, Vanessa da Mata e outros nomes antes de lançar seu primeiro disco. Vem agora retomando o acordeon na música nacional, dentro de um CD eclético que passeia pela jovem guarda, brega, pop e rock. A música tema do álbum, junto a “Pra Sonhar” e “Por Que Nós” são obras-primas dentro de um todo impecável que vai durar.

Em Esperar é Caminhar, o Palavrantiga revela mais facetas que as iniciais propostas no EP “Volume 1″. Agora, afirma-se como banda que celebra sua espiritualidade sem medo do que vão dizer, convencidos de que podem, sem estar em cima de muros, transpirar sua fé na música que fazem. O disco retoma algumas faixas do primeiro EP, mas também nos apresenta novos rumos como a corajosa “Rookmaker” ou o belo rock oitentista “Seguro Vou”. Sou suspeito pra falar deles, então é melhor parar por aqui.

Destaco, por fim, a trupe carioca do coletivo Echo: Alforria e Eduardo Mano, que lançaram seus trabalhos (o primeiro um pack com 2 músicas, já o Mano o álbum Velhas Verdades) via Internet, na independência completa, mas com cuidado e talento o suficiente para chamar atenção. Fiquem de olho.

Merecem citação porque também mandaram bem: Ortinho, Karina Buhr, Pato Fu, Thiago Pethit, Nina Becker.

Música gringa

Apenas em seu terceiro álbum, The Suburbs, o Arcade Fire conseguiu me conquistar em definitivo. Antes, fiquei limitado a gostar de algumas poucas canções, mas sempre com certo abuso. Se a genial “Ready to Start” tocou zilhões de vezes na playlist, não ficaram também atrás a épica oitentista “Sprawn II” ou a saudosista “We Used To Wait”. Uma obra-prima que me ensinou a gostar dos seus 2 primeiros discos.

Mumford & Sons com Sigh No More foi o nome com raízes pra lá de contry que me deixou pilhado. Belíssimo CD, que leva você numa montanha russa bacanérrima em suas letras, no melhor estilo davídico no Salmo 23.

Eu citaria outras coisas, mas como agora eu sou um blogueiro irresponsável, eu não ouvi outras coisas atentamente. Certamente estarão em posts futuros nomes como Sufjan Stevens fugindo do folk ou Gorillaz gravando tudo num iPad.

Fico por aqui. Nos próximos dias: melhores filmes e uma retrospectiva nova.

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