NADA MAIS POR HOJE.

Ela subiu ao palco do Ponto de Cem Reis, pela primeira vez em João Pessoa. Anunciou-se para uma plateia de poucos e, provavelmente, apenas alguns destes poucos a conheciam. Estava ali uma turma de Cabo Verde que saberia cantar suas músicas, a maioria escrita em creolo. Ela, tímida a princípio, cantou com seu olhar cheio de doçura e mostrou a que veio: encantar.
Mayra Andrade fez um show curto, tendo em vista ter tocado tão poucas músicas do seu primeiro álbum, Navega. Foi por ele que me apaixonei, mais de dois anos atrás, e espalhei para alguns poucos que seguiram no encanto. A moça fala o português brasileiro fluente, com sotaque nordestino, e sua brasilidade universal está toda em sua música. Mayra tem uma voz de invejar a muitas cantoras por aí, pela versatilidade dos graves e agudos por onde passeia. Como se não bastasse, é estonteante e tem um sorriso que me fez babar a noite toda. Ela não cantou as músicas que tanto esperei para ouvir, mas saí de lá feliz: vi esta bela e promissora cantora do mundo, de graça, aqui em minha cidade.
Em breve um vídeo e mais fotos da noite.
Minha relação com os cariocas do Los Hermanos é uma tanto diferente do habitual. Sou fã de saber a letra das suas 25~30 músicas que fazem rodízio pelos DVDs e shows, mas isso aconteceu com certo atraso. Foi apenas nos idos de 2005, 2006, que eu descobri a banda, sendo conquistado pelo álbum “4″. Conhecendo apenas o básico do básico da jornada anterior, o álbum me pegou de jeito, fazendo com que partisse com velocidade atrás dos três precedentes e ficasse ainda mais surpreso. Desse modo, antes da última sexta-feira, tinha ido apenas ao último show deles em João Pessoa, aquele gratuito no Busto de Tamandaré, na turnê do álbum que me cativou.
Foi então que, nos últimos quatro anos, o Los Hermanos se tornou minha banda nacional preferida. Meu last.fm me denuncia: eles estão no 1º lugar das mais tocadas, com quase o dobro do 2º lugar. E foi com essa empolgação que eu garanti meu ingresso assim que começaram as vendas e a contagem regressiva estava apenas começando.
Vê-los ao vivo, tocando todos os grandes hits, era de uma expectativa sem tamanho. Considere, então, que se tratava de vê-los num palco neste limbo que a banda entrou, deixando os fãs às cegas sobre novas composições em conjunto. Seria um dia histórico, mesmo se fosse ruim, e não foi. Diante do que eu vi nesta sexta-feira, pouco importa que o som parou 2 vezes, que as filas eram gigantes, e que próximo do palco haviam 14 mil pessoas se apertando onde só cabiam 8 mil confortáveis. Isso só as que estavam muito perto do palco…
Assisti o show lá de trás, tentando fugir das fumaças aleatórias que agravavam uma crise de rinite que veio no dia. Mas foi garantia de situações curiosas. Ao som de uma das maiores roedeiras do Los Hermanos, “A Outra”, que eu estava só lá trás, cantando e observando: do meu lado esquerdo havia um casal claramente discutindo a relação ao som da trilha sonora ao vivo. Eles dois estavam sérios, se encarando e denunciando a todos o que viviam ali – parecia cena de Apenas o Fim. Como se não bastasse, do meu lado direito havia a mesma situação, só que com dedos apontados na cara, berros e aquele drama todo. Seria apenas trágico se, exatamente entre os dois casais, ou seja, na minha frente, não existisse um outro par, dançando a mesma música com sua levada de bolero brega repaginado. Eu estava ali, assistindo cena a cena, ironicamente, a situação vivida com soundtrack em tempo real.
Los Hermanos tornou-se pop com seu lirismo que, por falta de renovação, vai se tornando bobinho. Não me entendam mal, canto todas as músicas junto à banda. Mas por ter parado no “4″, músicas como “Além do que se vê”, “Cara estranho” ou mesmo “Todo Carnaval Tem Seu Fim”, terminam por entrar já bastante saturadas no setlist. Sem elas, porém, fãs sairiam enfurecidos e as comparações com fãs do Restart seriam ainda mais frequentes.
A população de fãs enlouquecidos era maioria por lá, fazendo a própria banda ficar encantada com aquele coro gigantesco que superava as vozes de Camelo e Amarante. Eles dois se divertiam no palco e, como disse o amigo Bruno, eles são muito bons ao vivo. Quando estão num ambiente que não os pressiona por questões comparativas (Radiohead, SWU…), se soltam, interagem mais e sabem segurar o público mesmo com as falhas graves no som.
Os quatro rapazes já deram a entender, por questões de novos projetos e até separações geográficas, que um novo trabalho é algo bastante improvável por agora. Com tamanho carisma conquistado e entrosamento no palco, só nos resta esperar o contrário. Afinal, eles continuam sendo – eis a frase final para levar porradas e flores – a melhor banda nacional desta década.
A minha preferida, junto a “Último Romance”.
Nesta jornada, ainda muito curta, não encontrei outra resposta ao desespero que costuma tão repentinamente e, cada vez mais frequentemente, bater à porta. O doce som da graça, na expectativa sobre o lugar de ruas que não têm nome. Palavras do salmista.

Sobra genialidade pelas beiradas de BoardWalk Empire. Num único plano-sequência, Scorcese nos mostra o que é Atlantic City em 1920: Nucky Thompson (Steve Buscemi) chega a região dos bares e a câmera sobe pela grua mostrando uma banda; ela toca um clássico hino cristão em arranjo bastante alegre, enquanto alguns homens atrás erguem algo volumoso, cercado de flores; é um caixão, mas em forma de garrafa de whisky, que guardaria todas as nossas atenções não fosse a situação seguinte com quem se cruza: um casal empurra um carrinho de bebê cheio de garrafas de espumantes e whisky – com o filho no colo.
Scorcese, no primeiro episódio de Boardwalk, apresenta um mundo em formação. Os gangsters ainda não são tudo que vimos em outras narrativas (especialmente nos filmes). Isso porque o episódio mostra a virada na história de Atlantic City: dois dias antes e um depois da chegada da Lei Seca. O tal império não está caindo, mas apenas começando: é a descoberta da possibilidade de uma ambição ainda maior.
A classe do diretor não tem um roteiro totalmente à sua altura, mas ainda assim brilhante. Mesmo que tenha diálogos ótimos (“Nunca deixe a verdade atrapalhar uma boa história”) e o uso da ordem cronológica diferenciada até para se compreender bem a história, faltam alguns ajustes. Sempre é um problema traçar múltiplas histórias, com múltiplos personagens. Segurar tudo isso em termos de narrativa é um desafio e apresentá-los numa tacada só também é. Alguns, por exemplo, ficam muito em suspenso sobre seu passado, trazendo a sensação de que apenas têm obrigatoriamente que aparecer na premiere (como a grávida interpretada por Kelly Macdonald).
A série já está em seu 4º episódio e me cativou. O problema, porém, tem sido acompanhar seriados acima dos 20 minutos de coisas legais como The Big Bang Theory e How I Met Your Mother. Tento seguir em frente com Mad Men e Dexter, mas não consigo graças ao tempo curto. Boardwalk Empire é uma produção que talvez ganhe na disputa por ser uma minisérie. Veremos.
PS.: perdoem por não fazer nenhum tipo de conexão com The Sopranos. Eu sei que um dos produtores e roteiristas de Boardwalk é o responsável por este outro clássico da HBO, mas eu não vi nenhum episódio da série ainda.
Com o talento da bem acompanhada Marcela, eles vão longe. Depois de uma temporada com músicas ainda em pré-mix ou alguns vídeos de baixa qualidade por aí, agora eles chegam com registros bem legais. Com produção de primeira, lançaram dois videoclipes: “A Ponte” e “Desaguar”. Pitadas de Hermanos com Marina Lima, kinda somenthing like that. Seria possível? Ah, dá o play e ouve aí. Eu curti.