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Caminhava todos os dias sabendo que a cada alvorada tornava-se novo. A certeza se dava pelo simples fato de ter um norte específico e muito claro: voltava ao princípio, ao seu jardim pessoal e individualmente completo no outro Eterno. Isso não lhe tirava, entretanto, toda a convicção de que o chegar lá seria extremamente importante e obviamente doloroso. Não se afastaria dessa ideia mesmo que este fosse um dos seus desejos. Largar tudo que acreditava e viver alguma ilusão indiferente, tal qual o Mersault de Camus e Visconti, era um fantasma constante. É mais fácil desistir hoje do que se pode ser, do que viver deliciosamente as descobertas de agora que te fazem prosseguir para o que você será.
Ricardo Oliveira

Blogueirando há 12 anos, sou jornalista e aqui escrevo sobre cultura pop desde 2007. Trabalho, pesquiso e ensino no mundo das mídias digitais - leia-se: um nerd.
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