Archive for February, 2009
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Nova edição da revista eletrônica CULTPB

Capa da CultPB

Saiu a nova edição da CultPB, das amigas Érica Chianca e Taísa Dantas, sobre o verão. A edição está primorosa, como a parceria artística entre Shiko (artista plástico) e Lau Siqueira (poeta), além de uma belíssima galeria de fotos de alguns fotógrafos paraibanos.

De quebra as meninas pediram uma dica de cinema para o verão. Falei do filme O Plano Perfeito, que acho ideal para juntar a galera e curtir uma pipoca com refri. Confiram, vale a pena!

Ricardo Oliveira

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Ainda sobre “Quem Quer Ser um Milionário?”

Os favelados indianos são melhores que os nossos?

“Procure em todo canto do globo e você não irá encontrar pessoas mais complexas – e complexadas que os indianos. Sem ironia, uma nação – formada por muitos cidadãos que empilharam reclamações e ações judiciais contra ‘Quem Quer Ser um Milionário?’ por mostrar a Índia de forma negativa e por usar a intolerável palavra “cachorro” (’dog’, do título original ‘Slumdog Millionaire’) para descrever os pobres favelados – está agora em estado de euforia por ter ganho oito estatuetas conferidas por uma ‘academia’ que considera como ícones um bando de cientologistas (sem falar no Mickey Rourke).”

(…)

“Quando o mesmo filme, com o mesmo título neo-imperialista, é festejado por americanos de smoking em uma premiação assistida no mundo todo, os indianos explodem de orgulho. Oito Oscars, yes! Não é um recorde? A.R. Rahman não é o melhor compositor do mundo? Bollywood não é mesmo maravilhosa? E nossas favelas não são uma lição sobre como superar a adversidade e a crueldade? Os nossos favelados estóicos, resistentes, auto-confiantes, corajosos, fraternais, decididos e criativos? Nossos favelados não são melhores do que os outros?”

A água no chope do Oscar para “Quem Quer Ser um Milionário?” vem do indiano Tunku Varadarajan, professor da New York University e editor da revista conservadora “Forbes”, no “Times” de Londres. De cara, parece uma opinião um tanto ressentida, ainda mais na ressaca da premiação do filme de Danny Boyle. Mas convenhamos: alguém precisava desmentir a balela dessa ideia de um Oscar multicultural. Realmente é estranho: os ingleses fazem um filme mostrando os indianos – literalmente – na merda; os indianos ficam putos; daí os americanos dão um punhado de estatuetas para os ingleses; os indianos ficam felizes. E o pior é que eu acho que a reação no Brasil seria igual se o filme fosse sobre os nossos favelados.

RICARDO CALIL EM SEU BLOG

Ricardo Oliveira

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Operação Valquíria – JP Crítica

Operação Valquíria revela algo importante, para além das questões históricas do seu enredo. Trata-se da afirmação de Bryan Singer como um autor de cinema e não apenas como “diretor contratado”. Em seu novo filme ele demonstra que seu maior foco é na narrativa clássica do heroi e nas ideias de redenção que existem em personagens assim. Foi em Super-Man: O Retorno, que Singer mostrou seu interesse em revelar com intensidade a mente de seus protagonistas através das escolhas, marcas físicas e através dos diálogos.

Estrelado por Tom Cruise, o filme conta a história do coronel Stauffenberg, um militar nazista que elabora um plano para derrubar o ditador Adolf Hitler. Sofrendo um ataque surpresa durante a sua passagem pela África, o coronel perdeu a mão direita, dois dedos da outra mão e ficou cego do olho esquerdo. Na caracterização do filme, esses detalhes são aproveitados por Singer, que elabora o personagem como alguém que deseja ao mesmo tempo justiça e a honra alemã recuperada. Em uma das cenas de maior força simbólica, Stauffenberg recebe a ordem de demonstrar lealdade ao governo com a expressão “Heil Hitler”. Como que expressando rancor guardado e ao mesmo tempo sendo irônico com a situação, o coronel ergue com vigor seu braço direito e brada a saudação, mostrando a parte decepada do seu corpo. Um homem cujas cicatrizes representam seu povo e o fazem repensar suas escolhas políticas.

Esta obra de Singer não é menos que o ponto mais alto de sua carreira, demonstrando um formalismo russo apurado na decupagem e influências de Brian de Palma no trato visual. Um blockbuster excepcional, baseado em uma bela e dolorosa história.

Ricardo Oliveira

Publicado originalmente na seção “JP Crítica” do Jornal da Paraíba em 24/02/09

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Coraline e o Mundo Secreto

Mesmo que demonstre vez ou outra as suas falhas na captação do stop-motion, Coraline e O Mundo Secreto convence muito bem como uma animação adulta. É necessário dizer que eu não li nada de Neil Gaiman até hoje, incluindo o livro homônimo. Desta forma, fico livre das comparações naturais com a obra original (e que se fazem desnecessárias mesmo para quem tenha lido). Cinema é cinema, literatura é literatura.

Este é meu primeiro filme do diretor Henry Selick, que havia dirigido o roteiro de Tim Burton em O Estranho Mundo de Jack. Não é preciso, entretanto, ter assistido a seus filmes anteriores, para perceber que Selick é um herdeiro direto da cinematografia de Burton. O diretor consegue colocar nas situações narradas aquela tensão no ar, gerando a sensação de que algo de inusitado pode acontecer a qualquer instante – seja para nos assustar, emocionar pela beleza ou nos fazer rir. A caracterização dos personagens e as curtas cenas de apresentação de cada um ficaram ótimas e dão um ritmo excelente (o que dizer do belo e engraçado trecho do sr. Bobinski?). Tais apresentações são extremamente úteis, considerando que a narrativa as usará para contrapor mundos e ideias diferentes, quando da passagem de Coraline para o mundo secreto. Lá encontra com uma mãe dedicada, um pai atencioso, um amigo comportado e vizinhas bonitonas – todas as antíteses daquilo com o que ela convive no mundo real. As descobertas da personagem neste novo mundo a encantam à princípio, mas levam-na a descobrir o suficiente sobre si mesma e seus parentes para querer retornar a realidade.

Não trata-se, em definitivo, de um filme para crianças – evite exibí-lo para pessoas com menos de 13 anos. Entretanto, é um filme sobre crianças – e, inevitavelmente, sobre nós, já que um dia fomos como Coraline: insatisfeitos, inquietos, curiosos.  Mesmo com pequenas falhas (equivocado e bobinho o trato dado àquelas crianças presas dentro do espelho) o filme de Selick convence porque traz uma lição metalinguística: o mundo secreto de Coraline, assim como o cinema, pode ser um caminho interessante para fugir da realidade e descobrir detalhes importantes sobre a ela, mas o mundo real, de todo modo, ainda é o lugar para se estar.

A fuga da realidade

Ricardo Oliveira

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“Quem quer ser um milionário?” ou o desespero de Danny Boyle

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O filme que possivelmente ganhará o Oscar nesta noite é uma espécie de desespero da parte de Danny Boyle. O diretor parece desesperadamente interessado em construir uma imagem da Índia que revela sua condição decadente e, ao mesmo tempo, mostrar que sua esperança está no destino. Mesmo que seja interessante questionar esse argumento (já que a mesma Índia é aquela que continua fazendo destinções de castas entre as pessoas), não é onde quero focar.
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Este desespero, ao mesmo tempo, acaba por revelar um constraste entre a possível intenção e como se quer chegar nela em termos cinematográficos. Boyle estilza os planos, rebusca a fotografia e exagera na história, a ponto de transformar Quem Quer Se um Milionário? em um espetáculo vazio. As tentativas de executar um boa técnica (como aquela encontrada em Sunshine – Alerta Solar) acabam por fazer do filme (e aqui encontramos pontes com o cinema brasileiro) uma espetacularização das favelas indianas. A mesma câmera que insiste em ser inclinada, tentando revelar uma Índia que está “virada”, acaba por não convencer por ser a mesma que mostra exageros de contra-luz e cores que visam apenas impressionar – e não significar.
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Para Boyle, então, a beleza do povo indiano está no destino de Jamal, que insiste em levá-lo para os melhores lugares, mesmo que passando por muitas dificuldades. Como se não bastasse toda a fragilidade da significação das imagens de Boyle, ele ainda fracassa ao fazer com que os desastres da vida de Jamal sirvam, perfeitamente, para o seu destino traçado: estar acima de tudo aquilo que viveu (foto acima), mesmo que alcance isto com a ajuda das situações vividas – as respostas perfeitas para um quiz de TV. O vitorioso menino é apenas um boneco nas mãos do comandante Danny Boyle e seu maniqueísmo também tenta nos pegar – mas, não.

Ricardo Oliveira

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Os primeiros posters de Bastardos Inglórios

Clique para AmpliarClique para AmpliarClique para Ampliar
Saíram os primeiros posters do aguardadíssimo Bastardos Inglóriosincríveis, por sinal. Clique para ampliar e confira as inscrições “Era uma vez numa França ocupada por nazistas…”. Veja o trailer traduzido aqui.

Ricardo Oliveira

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Pés inquietos

Ilustração de Bilbo Bolseiro

- Recebestes, guerreiro das terras do norte?
- Recebi, arauto do litoral.
- Isto feito, sinto-me satisfeito e deveras feliz. Que bonito, que alegria, que beleza.
- Eis que vejo que a conclusão da demanda que agora se encerra não é o motivo único de tua ventura
- Certamente. Não apenas isso, mas sobretudo devido ao e-mail de companheira que está nas terras longíquas por onde nosso Senhor esteve.
- E o que leva a nobre senhorita de teu coração a Sião?
- O recanto familiar e agradável, que me integro como irmão, filho e servo, promoveu jornada coletiva àquelas terras.
- Espero um dia fazer a mesma jornada, apesar de meus pés não serem ansiosos por seguir estradas desconhecidas.
- Eis um dos meus desejos mais sinceros: andar por terras desconhecidas, sem dever ao tempo, acompanhado de alguém que anseie passar toda a vida comigo descobrindo a eternidade dos lugares remotos.
- Eu sou como Bilbo antes da festa inesperada, tenho os pés presos ao meu Condado.
- Posto que sim, como todos. Seja o condado representação do DNA, do conforto ou do nosso medo. Bilbo, Ferris Buller e Los Hermanos, entretanto, foram canais celestes para ser desafiado a sair e lançar-me.
- Talvez falte-me apenas a demanda; o mago ainda não me chamou a uma tarefa que tornasse meus pés inquietos.
- Compreendo.

Mapa da Terra Média


Conversa inusitada com o amigo Teo, proporcionada pela brincadeira de conversar em tom culto do nosso idioma; incluindo sarcamos, cultura pop e reflexões de caráter filosófico.

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