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Depois de viver a incrível e insana experiência de fazer uma monografia em 3 semanas, eu aprendi algumas coisas. A maioria foi na marra, outras foram com a ajuda de Thiago Falcão, Ana Flávia Camboim ou meu orientador Henrique Magalhães. Algumas eu descobri somente depois da avaliação, outras são coisas óbvias, que tomei como princípios desde o início do processo. O certo é que agora eu deixo pra vocês minhas 10 dicas essenciais sobre monografias. Não é questão de experiência na área, até porque esta foi a primeira. Mas acho que são toques importantes. Vamos lá:

10 coisas para não fazer
durante a produção de uma  monografia

1. Não procrastine

Não adie os processos, cumpra as etapas. Dividí-las  de forma a organizar seu ritmo de trabalho é essencial. Geralmente são 4 ou 5 meses de produção e o ideal é gastar pelo menos 1 mês intenso  apenas estudando e fichando os pensamentos e trechos importantes para seu texto. Invista dois ou três meses escrevendo tudo e o mês final para sua revisão pessoal, de amigos e ajustes finais de sumário, índices e anexos. Sofri na pele por causa da minha preguiça, e garanto que dá muito trabalho fazer tudo em menos de 1 mês. Alguns amigos investiram 2 semestres trabalhando com cuidado.

2. Não seja perdido

Saiba exatamente onde você quer chegar. Pode ser que o processo mude, que a metodologia faça você perceber que algumas coisas precisam tomar outro rumo. Entretanto, tenha sempre em mente o problema a ser resolvido e o que você quer provar com seu trabalho. Isso te ajuda a não perder o foco.

3. Não queira falar sobre todas as coisas

Uma consequência da recomendação número 2 é saber que você não precisa falar sobre tudo. Afinal, lembre-se que muitas das teorias, conceitos, já foram expostos em outros trabalhos de forma clara. Algumas vezes você vai precisar apenas lembrá-los, em outras explicá-los, e, sempre, você terá de analisar profundamente alguns autores. Mas, sobretudo, não seja prolixo. Um trabalho bem sintetizado sem superficialidade ganha pontos extras na avaliação.

4. Não brigue com a ABNT

É, todo mundo odeia a Associação Brasileira de Normas Técnicas. Mas o bicho-papão é menor do que aparenta quando a gente chega a um TCC. Se você teve o costume de entregar artigos durante o seu curso, aproveite para organizar seu trabalho seguindo as regras mesmo enquanto você escreve. Evite ao máximo deixar esses detalhes para o final: você pode se deparar com uma imensa bola de neve a ser corrigida.

5. Não escreva sem estilo

Muita gente acha que monografias, artigos e ensaios acadêmicos precisam ser totalmente técnicos e com uma linguagem imparcial levada aos limites. Isso não é verdade – até porque a imparcialidade é uma falácia. Mesmo que existam exceções, saber escrever com estilo, de forma a conquistar o avaliador com sua habilidade de argumentação, é uma virtude – especialmente em cursos da área de humanas. Evitar a primeira pessoa é uma questão óbvia, mas saber quando lançar a sua opinião em meio ao texto é algo importante. O seu orientador é o prumo para descobrir quando você está exagerando neste sentido.

6. Não brigue com o seu computador

Alguns perdem trabalhos, outros (ou todos) têm problemas com a impressora. A verdade é que a gente sempre põe a culpa nos softwares e hardwares quando nós somos os manés. No meio do estresse e da correria, sempre esquecemos de duas coisas: (1) fazer backup freqüente do arquivo principal. Lembre de todos os dias enviar o .doc para seu e-mail; (2) verificar o funcionamento da impressora. Quando chegar a época de imprimir, certifique-se que o seu aparelho não está precisando de manutenção ou cartuchos novos. Isso evita muitos (repito, muitos) perrengues. Uma nova alternativa para produção do trabalho é o Google Docs. Nele você pode produzir o texto completo na rede e compartilhar com quem desejar para leituras e comentários. Sem riscos de perdê-lo.

7. Não escolha o orientador errado

Dois caminhos para a escolha certa: ou você tem o suporte de um professor que entende tudo do assunto que você vai abordar ou ele entende do tema sobre o qual você ainda é capenga. Exemplo: você quer falar sobre Cinema Tailandês. Se você sabe tudo sobre o cinema daquele país e nada sobre as bases teóricas que te fundamentem, procure um orientador que te ajuda nas bases teóricas ou vice-versa. Se ele sabe sobre as duas coisas, ótimo. Seja cuidadoso na escolha, você pode ter sérios problemas. Independente de qualquer coisa, aprenda a não depender totalmente dele. Afinal, é nesta época que você vai mostrar seu real potencial enquanto pesquisador científico e sua habilidade na escrita. O orientador está aí pra remover aquelas malditas arestas que atrapalham o processo.

8. Não fique com apenas duas opiniões

A sua opinião e a de seu orientador não são suficientes. Evite ao máximo ficar apenas com elas. Conte com amigos que possam te ajudar em dois níveis: correção textual e suporte no conteúdo do trabalho. Divida suas dificuldades na fundamentação teórica com mais alguém que é da área, peça pra que ele leia o texto. Isso é vital para descobrir se o seu trabalho é original, coeso e se está coerente.

9. Não seja desonesto

Em tempos de copyleft ou Creative Commons você precisa tomar cuidado. Plagiar textos ainda é uma falta de honestidade sem tamanho. Não faça. Você pode ser descoberto por quem menos imagina. Cite todas as fontes, não tenha medo de usar aspas. Saber fazer citações de forma indireta (seguindo as regras) também é uma ótima virtude nessas horas. Mas lembre, tudo tem que estar explicadinho na página de referências.

10. Não seja negligente

Estamos falando do seu último trabalho acadêmico (caso você não faça uma pós). Trate-o com carinho e faça com excelência. Isso ficará claramente refletido no seu texto e será notado pela banca examinadora. Este trabalho pode se transformar em artigos para publicação em periódicos da sua área, ou servir de referência no seu curriculum (acadêmico ou não). Portanto, não fique na média.

Dicas finais: como perceberam, eu não tratei das questões técnicas de formatação e etc, que também considero muito importantes e obviamente precisam estar na ponta dos dedos. Para isso, deixo dois links: o primeiro é do portal Zé Moleza, que tem uma página mostrando exatamente como formatar um TCC. A segunda dica é a ementa do curso de especialização em Metodologia do Trabalho Científico, redigida pelo prof. Dr. Marcos Nicolau (que fez parte da minha banca examinadora). Neste segundo você vai encontrar regras importantes sobre como delimitar foco, objeto, problema e os nomes técnicos para explicar isso na metodologia do seu trabalho.

Espero que as dicas sejam úteis! Espalhem esse link por aí, porque todo semestre são milhares de malucos desesperados fazendo monografias. ;)

Ricardo Oliveira

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  1. Thiago Mendanha Em 17 de September de 2008

    Ótimas dicas Ricardo… rs… Tomara que o pessoal deixe de ser “brasileiro” e aprenda antes de apanhar numa coisa que não precisa apanhar… rs…

    Abraços!

  2. Kaline Em 17 de September de 2008

    Amei, Ricooo!!!
    Pra mim o problema mais grave ainda é a procrastinação. Mas vou fazer um cronograma certinho, e depois te mostro uma coisinha que eu fiz, hehehehe.

    BEIJO!

  3. Teo Em 17 de September de 2008

    Gostei da dica do estilo – e sempre a tentei aplicar. A rigidez científica é quanto ao método, não quanto a usar as palavras de forma feia e inflexível.

  4. Romina Cácia Em 17 de September de 2008

    Ótimas dicas. Meu orientador sempre me ajuda. O que seria de mim sem ele? Kaline já te mostrou o contrato dela? Hilário. Acho que vou ter que fazer um pra mim também.

  5. zek Em 17 de September de 2008

    Meu amigo… obrigado é pouco, muito pouco pelas dicas que você deixou aqui… acabei de entregar o primeiro capitulo da minha monografia.. e estou começando a batalhar pelo segundo, algo que me parece que não será facil, ainda assim suas dicas foram muito boas e me ajudaram muito.

    God Bless You

  6. Tallita Em 17 de September de 2008

    hahah essas dicas me servirão em 2015. : )

    ah, se der, vc num poderia falar o que achou do filme O banheiro do papa?

  7. Ricardo Oliveira Em 17 de September de 2008

    Talita,

    eu gostei do filme. Bonito, sincero e tem um cuidado visual que traz uma beleza bem legal. O único problema é qnd investe um pouco em excesso no tom documental. A denúncia fica interessante, mas corre-se o risco de lembrar Sebastião Salgado, que não me agrada. Nota 4 de 5.

  8. Tallita Em 17 de September de 2008

    : )

    .gracias.

  9. Paulo Em 17 de September de 2008

    Ahhh … boas dicas. Mas uma das dicas finais foi bastante infeliz. Portal Zé Moleza bixo? hahahahahahahahaha Não é lá onde se compra trabalho já pronto !? =P

  10. Kaline Em 17 de September de 2008

    ei, seria pedir demais pra atualizar esse espaço aqui? logo qdo eu to tomando gosto pela coisa…

    ;*******

  11. Manoella Mariano Em 17 de September de 2008

    Saudade de você, saudade daqui.

  12. Marcelo Soares Em 17 de September de 2008

    Muito bom cara, humildade é ´primordial, passar informações para outras pessoas é um sinal de carater, muitos sabem das manhas e ficam guardando a sete chaves para si mesmo. Parabéns.

  13. Trycia Em 17 de September de 2008

    uh huuu acredto que estou no caminho certo, vou ler toda essa semana, os 10 mandamentos mesmo! valeu e obriagada por compartilhar essa relíquia de dicas….

  14. kessia Em 17 de September de 2008

    nossa.. tenho uma semana e meia para terminar minha mono.. estou na pag 20 e n sei mais para onde ir. Escolhi um tema complexo, cujos fundamentos estão em mais de 5 séculos de história.
    Mas agora n adianta chorar.. rs 5 anos, e deixei p fazer no último mês..

    obrigada pelas dicas! serão úteis ao longo desta semana!!! rsrs

    bj

  15. Heraldo José Meirelles Em 17 de September de 2008

    Ricardo, parabéns! você foi bem específico nos criterios que devem ser observados para a construção de uma Monografia! É válido lembrar que, o fundamental disso tudo é consultar seu (ante-projeto; pré-projet; ou projeto e seguir os passos dele, sem fugir dos objetivos; lembrando sempre as questões norteadoras (problemas).
    Mais uma vez, Parabéns!
    Na condição de professor-orientador vou recomendar esse seu artigo aos interessados. Obrigado!