Archive for August, 2008
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Mafalda e o sentido da vida

Dia desses me peguei passando tirinha por tirinha de um fotolog que registra a Mafalda. Aí me deparei com uma sequência ótima sobre o sentido da vida. Mafalda, a eterna questionadora, manda ver com a pergunta clássica e a maravilha da coisa está nas reações:

- veja outras no fotolog Mafalda_Tiras

RICARDO OLIVEIRA

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Mostra de cinema alemão em João Pessoa

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Recebi via e-mail (valeu, Mousinho!) a programação desta excelente mostra – a qual eu sabia que iria rolar, mas estava sem informações. Jornalista-zé-mané, você sabe…

O que está rolando? Trata-se de um evento chamado Kulturfest Itinerante. O objetivo é levar a cultura alemã para 14 cidades brasileiras. Passou por Campina Grande e está chegando agora na capital. Amanhã começa uma mostra de filmes alemães contemporâneos. Quatro longas e quatro curtas-metragem para a galera apreciar lá na Estação Cabo Branco. Acontece nesta terça e quarta e a entrada é franca. Na exibição do curta “Táxti para o devaneio”, um dos diretores da produção estará presente para debate. O filme foi rodado no Brasil e na Alemanha e contou com aprendizes e profissionais dos dois países. Vê só: não perde, não – isso é raridade.

Confira abaixo a lista dos filmes e horários:

19 ago| terça |

16h | Motodrom

Motodrom | 2006 | 8 minutos | Documentário. Direção: Jörg Wagner. As belíssimas imagens granuladas em preto-e-branco, enquadramentos criativos, som e edição perfeitos valeram a Motodrom uma menção honrosa na categoria curta metragem do festival de Sundance de 2007. O filme mostra um grupo de motoqueiros que arriscam a vida numa torre circular, em cujas paredes internas praticam acrobacias inacreditáveis. As expressões dos espectadores, a plasticidade e ao mesmo tempo a monotonia dos movimentos foram captados de forma muito original neste filme sem diálogos, cuja única trilha sonora é o ronco dos motores e os ruídos do contato entre os pneus e a pista de apresentação.


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Um amigo meu

Ein Freund von mir | 2007 | 84 minutos | Ficção. Direção: Sebastian Schipper. Astro de Adeus, Lênin! (Good bye, Lênin!, 2003) e Edukators (Die fetten Jahre sind vorbei, 2004), o ator alemão Daniel Brühl volta às telas brasileiras como o jovem matemático Karl, um tipo introvertido e inseguro que alcança o sucesso profissional muito cedo mas, incapaz de interagir normalmente com outras pessoas, leva a vida numa indiferença total. Quando seu chefe o envia em uma tarefa diferente para tentar tirá-lo do marasmo, Karl se vê frente a frente com Hans (Jürgen Vogel), seu oposto em temperamento. O filme conta a história dessa amizade improvável e a busca de Karl por uma vida menos ordinária. Ein Freund von mir agradou às platéias da Europa pelas situações engraçadas na interação entre Brühl e Vogel, bem como pela trama – no fundo, uma história de amor. A atriz coadjuvante Sabine Timoteo (Stella) recebeu o Prêmio Ouro do Cinema Alemão por este trabalho. O filme foi produzido por Tom Tykwer, diretor de Corra Lola, Corra (Lola rennt, 1998), no qual Sebastian Schipper fez uma ponta como ator. Assista ao trailer aqui: www.einfreundvonmir.de


18h| Taxi para o devaneio

Sessão Seguida de debate com o diretor Ansgar Ahlers.

(Taxi to Daydream | 2006 | 12 minutos | Ficção). Direção: Dirk Manthey, Ansgar Ahlers e Eder Augusto. Este curta metragem foi filmado em duas partes: a primeira no Brasil por um diretor alemão com uma equipe brasileira formada por aprendizes de cineastas vindos das favelas de São Paulo; a segunda parte, em Kiel, na Alemanha, pelo diretor Brasileiro Eder Augusto. O resultado é uma produção coletiva que gira em torno das imagens de dois protagonistas, um em cada cidade, em sua viagem de táxi. Durante a jornada, cada um deles assiste pela janela a imagens do outro país. Taxi to Daydream foi produzido como parte do Projeto Daydreams, que reúne autores em web design, produção de cinema, roteirização, gerência, etc. A proposta é estimular a troca de idéias entre profissionais de mídia de vários países, através de um fórum na Internet (www.new-daydreams.com), visando à concretização de projetos independentes através da colaboração destes profissionais em todo o mundo. O filme recebeu o prêmio da TV Cultura no Festival de Curtas de São Paulo de 2007.

19h | Vincent

2005 | 14 minutos | Ficção. Direção: Guido Ricciarelli. Aos oito anos de idade, Vincent tenta entender o mundo imitando os adultos a sua volta. Com sua lógica simples mas infalível, ele logo descobre que nem sempre é prudente acreditar no que dizem ou fazem os mais velhos. Vincent é filmado do ponto de vista da criança, o que permite que pequenos detalhes sejam revelados aos poucos ao espectador. Este é o primeiro filme do diretor milanês Guido Ricciarelli, que terminou os estudos na Alemanha, país no qual trabalha atualmente como ator e produtor.

+ Yella

Yella | 2007 | 88 minutos | Ficção. Direção: Christian Petzold. Yella é jovem e bonita, mas decide fugir de um casamento falido e da falta de perspectivas na sua cidade natal para se estabelecer em Hannover. Em oposição a seu interior tumultuado, o comportamento frio e calculado da jovem acaba sendo um trunfo nos negócios, e ela está a caminho do sucesso profissional. Esta personalidade dual, no entanto, mantém a tensão do filme em alta, ainda mais quando Yella começa a ser assombrada por seu ex-marido psicótico. O personagem deu à atriz Nina Hoss um urso de prata no Festival de Berlim de 2007, e a indicação do diretor Christian Petzold para o urso de ouro no mesmo ano. “Ele (Petzold) merece ser comparado a Claude Chabrol, mas ao mesmo tempo com algo muito distinto, e distintamente germânico”, publicou o jornal inglês The Guardian, que classificou Yella como um “thriller extremamente envolvente”.

20 ago | quarta

16h | Taxi para o devaneio (reprise)

(Taxi to Daydream | 2006 | 12 minutos | Ficção). Direção: Dirk Manthey, Ansgar Ahlers e Eder Augusto. Este curta metragem foi filmado em duas partes: a primeira no Brasil por um diretor alemão com uma equipe brasileira formada por aprendizes de cineastas vindos das

favelas de São Paulo; a segunda parte, em Kiel, na Alemanha, pelo diretor Brasileiro Eder Augusto. O resultado é uma produção coletiva que gira em torno das imagens de dois protagonistas, um em cada cidade, em sua viagem de táxi. Durante a jornada, cada um deles assiste pela janela a imagens do outro país. Taxi to Daydream foi produzido como parte do Projeto Daydreams, que reúne autores em web design, produção de cinema, roteirização, gerência, etc. A proposta é estimular a troca de idéias entre profissionais de mídia de vários países, através de um fórum na Internet (www.new-daydreams.com), visando à concretização de projetos independentes através da colaboração destes profissionais em todo o mundo. O filme recebeu o prêmio da TV Cultura no Festival de Curtas de São Paulo de 2007.

+ Hotel Very Welcome
( 2007, 89 minutos|Ficção). Direção: Sonja Heiss

A fuga da rotina, a fascinação da viagem, os desentendimentos interculturais e uma relação telefônica muito especial. Com humor e ironia, o filme descreve o mundo dos viajantes “Lonely-Planet“ pela Ásia e retrata a situação sentimental de uma geração. Um contraponto ao mundo que se parece tão globalizado e leva os protagonistas à realidade dos mochileiros utilizando métodos quase documentais. A equipe viajou e filmou na Ásia durante 4 meses para interiorizar esse sentimento real de viajantes.
ELENCO: Eva Löbau, Svenja Steinfelder, Chris O’Dowd, Ricky Champ e Gareth Llewelyn.

19h | Ego Sum Alpha et Omega

Ego Sum Alpha et Omega | 2005 | 7 minutos | Animação. Direção: Jan-Peter Méier. Do nada, o personagem Ego Sum é jogado em um mundo diferente do seu e precisa se ambientar. Até que consiga encontrar o seu caminho, ele já terá se tornado igual aos outros habitantes, em aparência e no comportamento apático. Este filme é o projeto de conclusão de curso do diretor Jan-Peter Méier na Escola Superior de Arte de Kassel. É dele também a produção, o roteiro e a animação. Os desenhos simples em preto-e-branco chapado lembram o estilo das histórias em quadrinhos, embora o curta tenha alguns gráficos em 3D.


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Cães de caça

Jagdhunde | 2007 | 86 minutos | Ficção. Direção: Ann-Kristin Reyes. Lars é um jovem de 16 anos que vive num isolamento duplo: primeiro, por morar em uma fazenda afastada de tudo no interior da Alemanha; segundo, por manter um relacionamento frio com seu pai, com quem vive, mas raramente se comunica. A sensação de solidão fica ainda pior quando Lars descobre que o pai está tendo um caso com a tia Jena, e a mãe aparece de repente com seu próprio amante. Jagdhunde é um drama sobre família, sobre distância e aproximação. A diretora Ann-Kristin Reyes escolheu a locação a dedo. “Em toda a Alemanha, não há lugar mais solitário, e você pode ver e sentir isso em todas as imagens. A paisagem é muito importante para o clima do filme”, definiu.

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Batman 2011 – um novo viral?

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- Corre, vê meu Orkut!!!! “Batman 2011″!!
- Blz!

Aí eu chego no scrapbook do amigo Samuel e me deparo com um cartaz. Um cartaz enorme, em alta qualidade. A foto de uma mesa, ou algo do tipo, com inúmeros recortes de jornal a respeito do Batman, alguns papeis com enigmas que me lembraram o “Zodíaco” (David Fincher). Por fim, dois detalhes: duas mãos sobre a mesa e algumas interrogações. É o Charada – que os boatos dizem que seria interpretado pelo grande Johnny Depp?

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Teria começado o viral para o próximo filme do Batman? Caso a idéia seja verdadeira, me pergunto se a gente vai aguentar 2 anos de viral, buzz, mkt de guerrilha e etc. Os caras foram extremamente criativos na última empreitada e merecem um prêmio por isso: em termos financeiro “Batman: O Cavaleiro das Trevas” é o maior sucesso de cinema dos últimos anos – e marcou história.

O engraçado de tudo isso é que, como o clima de viral acaba girando em torno do que é e do que não é real, eu não tenho nenhum problema em duvidar que esse cartaz seja fake. Daí o problema.

UPDATE: assim como confirmado em um dos comentários logo abaixo, o cartaz é realmente fake. As minhas dúvidas eram justamente baseadas no fato de que alguns dos papeizinhos aí na mesa estão montados digitalmente. Basta reparar nas sombras.

Enquanto a gente não descobre, fiquem com este vídeo HILÁRIO que também é dica de Samuel. O Coringa tira uma com o Batman porque não entende nada que o morcegão diz:

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RICARDO OLIVEIRA

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Estréias desta sexta (15/08) nos cinemas

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Uma interessante sequência de filmes brasileiros vêm passando pelos cinemas da capital. Já tivemos um documentário como “Romance do Vaqueiro Voador” no circuito, o que é uma baita raridade. Isso na mesma semana que “Pequenas Histórias” estreou no Box Cinemas. Logo em seguida, mais dois. O primeiro, que entra em cartaz em duas salas, é o pop “Era Uma Vez”, do mesmo diretor de “2 Filhos de Francisco”, Breno Silveira. Na cola vem a pré-estréia de “Estômago” (foto) – com boa repercussão nos festivais por onde passou. Esta é a opção que mais me interessa e se você quer uma dica, corra pra ver também.

A lista completa do que rola a partir de amanhã em João Pessoa (alguns são estréias nacionais) e ainda os trailers, você confere logo abaixo. Boas sessões pra vocês!

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ESTÔMAGO, de Marcos Jorge
- Pré-estréia na Sala MAG 4. Censura 16 anos.

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ERA UMA VEZ, de Breno Silveira
- Nas salas BOX 6 e TAMBIÁ 1. Censura 14 anos.

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STAR WARS – THE CLONE WARS, de Dave Filoni
- Nas salas BOX 5 e BOX 7. Censura livre.

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QUEBRANDO REGRAS, de Jeff Wadlow
- Nas salas BOX 5 e BOX 7. Censura 14 anos.

RICARDO OLIVEIRA

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Novidades no blog, confira!

Assustou, nenêm?

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O blog agora está com uns botõezinhos novos pra você clicar! Vê só:

Canal de vídeos do Diversitá. Em YouTube e Vimeo para você escolher com que qualidade deseja assistir. Pra inaugurar a seção (enquanto não posto os outros vídeos no Vimeo) você fica com Mute Math – Noticed, legendado em português. EXCLUSIVO! Ajudinha precisa da amiga Kaline Vieira.

Canal de compras do blog! Sim, agora você pode fazer pesquisas de compras no Submarino ou Americanas através desta página no blog. Ué, mas por que não ir direto ao site? Ah, é que se você clicar através do blog e efetuar a compra, você está ajudando na manutenção do blog.

Lá na lojinha, inclusive, você confere essa super novidade que é a pré-venda do novo CD e DVD do Los Hermanos. Trata-se do registro realizado nos 2 últimos shows do ano passado, antes do recesso da banda, na Fundição Progresso. Se interessou? Clique aqui e compre!

RICARDO OLIVEIRA

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Coisas de segunda: Lynch, novos blogs…

David Lynch: tem uma cybershot ae?

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…toda segunda-feira, notícias e comentários rápidos e rasteiros. Cuidado pra não cair!

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Extra, extra: David Lynch diz que a película do cinema já era!

O aclamado mister Lynch (de obras como “O Homem Elefante”, “Cidade dos Sonhos” e da série de TV “Twin Peaks”) esteve em algumas cidades brasileiras divulgando seu livro sobre meditação transcedental. Aí, quando estava em Belo Horizonte, a galera dos Filmes Polvo aproveitou a deixa, batalhou e conseguiu fazer uma exclusiva. Pois bem, filmaram um trechinho, postaram no YouTube e lá vem polêmica. O diretor afirma que fazer cinema em película é lento e pesado. Confira:

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Jornalistas irresponsáveis criam blog irresponsável

Pois bem: uns ex-coleguinhas de Decom, que agora estão separados geograficamente (mestrandos em lugares diferentes, ou trabalhando, ou não) criaram um blog que soa como uma espécie de nostalgia de tempos recentes: o ótimo Intocáveis parece ser a representação em texto online daquelas conversas de intervalo entre as aulas. Aquelas que você comenta sobre os professores nada-a-ver, o filme do dia anterior, a peça de teatro vagabunda que você viu no domingo ou o livro que está apreciando na semana. Tudo sem propriedade, como o slogan afirma, e textos muito bem escritos. Quem? Thiago Falcão, Arthur Lins, Maurício Liesen e mais três moças que de nome eu não conheço.

Já falei pra eles que dou valor a idéia, principalmente se falarem mal de mim: assim eu também fico famoso.

http://intocaveis.blog.br/

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Dupla retrô-cool-soul-hype toca banda-maluca-vanguardista-rock

Videozinho duca, meu fi! Gnarls Barkely (que veio com um CD fraco esse ano) está tocando em seus shows um cover irado do Radiohead. A música é “Reckoner” do excelente “In Rainbowns” e você precisa assistir:

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Blogueiro que tanto resistiu finalmente cede ao Twitter

É, amiguinhos, finalmente cedi. Eu não tinha o mínimo de saco para micro-blogging. Achava muito sem noção ficar contando da sua vida constantemente (e ainda acho). No fim das contas, agora estou lá, twittando toda hora, todo dia. No geral, para indicar bons links (assim como boa parte da galera também faz) e para seguir alguns twitters importantes como Observatório da Imprensa, Brainstorm#9 e Tiago Dória. Então, se você também está nessa, me segue que eu te sigo (se você não tem, acompanhe na barra lateral deste blog). Tudo em 140 caracteres.

abraço’s,

RICARDO OLIVEIRA

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A construção em abismo de “Oito e Meio”

Guido (Marcelo Mastroiani)...ou Fellini?

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O filme que estampa a página do Plantão Cinefilia neste blog não está ali por acaso. “Oito e Meio” de Federico Fellini é uma das mais belas obras que o cinema produziu.

Trata-se de um filme cuja afirmação maior é: para um cinema realmente humano, coloque toda sua humanidade na tela. Ali está todo Fellini, junto a todas as suas mulheres, seus algozes, suas feridas e também suas virtudes – especialmente elas, para o olhar atento.

Guido (foto) não faz filmes de amor porque não consegue – como afirma às meninas em certo trecho. E por não conseguir, filma a si mesmo, suas dúvidas e dramas. Guido pretende filmar seus sonhos e desencantos e assim perturba os produtores. Quem pode saciar os anseios megalomaníacos de Guido? Quem pôde saciar as maluquices encantadoras de Fellini?

Não falamos apenas de um filme dentro do filme, como  senso comum afirmaria sobre sua metalinguagem. Pensemos em algo maior, trabalhado por Christian Metz: construção em abismo, vertigem. Como Jorge Luis Borges, Fellini parece, intecionalmente, nos confundir com uma diegese que se mistura inevitavelmente com suas intenções e nos deixa tontos de propósito. Isto porque, muito além de não avisar quando as sequências oníricas começam, Fellini brinca com a mais curiosa da possibilidades: o filme que Guido pretende dirigir já não seria este que assistimos na tela?

Por todo a fita Marcelo Mastroiani e seu Guido usam um chapéu que nunca está ajustado perfeitamente. A medida italiana para a cabeça do personagem é 8 1/2. Eis a chave: assim como o acessório não cabe em Guido, Fellini nunca se adequou ao cinema – por isso, inventou seu jeito de fazer. E como fez bem feito.

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Extras:

- Trailer original

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RICARDO OLIVEIRA

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