Archive for June, 2008
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Sobre dois perfis, vertigens e obsessão


- Texto produzido como trabalho final da disciplina “Crítica Cinematográfica”.

Vertigem é um tipo particular de tontura, que se caracteriza especialmente pela sensação de rotação. De forma simples, ver as coisas girando. A palavra, ao longo dos tempos, passou a traduzir novos significados. Dentro da literatura, por exemplo, é comum se falar que muitos dos contos de Jorge Luís Borges são labirínticos ou vertiginosos. Isso porque constroem idéias que levam o leitor a perder, propositadamente, noções de tempo ou espaço. John Ferguson é o ex-policial que sofre vertigens graças ao seu medo de altura em Vertigo, um dos grandes clássicos de Alfred Hitchcock. Uma obra bastante vertiginosa, por assim dizer – tanto quanto as tonturas de seu protagonista.

Um filme basicamente estruturado a partir da idéia do olhar. Seja ele como representação do modo-de-ver (a perspectiva que se tem de determinadas situações) ou mesmo sobre o jogo de profundidade/superficialidade dos olhares. Como que dividindo sua história em duas etapas, Hitchcock constrói no primeiro momento de Vertigo o filme a partir da ótica de John. Só estamos onde ele está, só vemos o que ele vê. A primeira seqüência de imagens, ainda durante os créditos, é como um tempo de abstração que nos dá base para entender a força do olhar para o filme. Apenas planos muito aproximados dos olhos de uma mulher, para somente depois iniciar a narrativa. Se ainda não temos o narrador onisciente, que será apresentado naquilo que chamo aqui de segunda parte, neste primeiro momento é comum encontrarmos antecipações narrativas. Algumas em falas simples, como quando John e Midge conversam sobre o medo de altura dele, e o ex-policial afirma que pode fazer testes de resistência ao medo, desde que não comece testando na ponte Golden Gate (onde ele realmente estará no futuro). Já outras, em momentos mais elaborados e dramáticos da história: Madeleine conta a John sobre algo que pensa ter sido um sonho, relatando estar na torre de uma igreja numa aldeia espanhola. Antecipações que constroem para o personagem de John e, iniciam ao espectador, as dúvidas que trazem vertigem na recepção do enredo.

É importante ressaltar que existe um plano-chave nesta primeira etapa: John vai ao restaurante para observar Madeleine com seu marido. Ele está deslumbrado com ela e então o casal se levanta e começa a caminhar em direção ao bar, onde o ex-policial está. Quando próxima a ele, Madeleine pára, justo quando entra no quadro que nos remete ao olhar de John. Este então é o plano-chave, quando o perfil de nossa protagonista é focalizado em close-up por alguns instantes. A imagem, além de uma rima visual com tantas outras cenas do filme, é uma espécie de síntese de Vertigo. Estamos diante apenas de um dos lados da história, de uma das faces da mesma mulher.

A primeira etapa do filme então será também os traços do primeiro perfil. John, em sua observação voyerística e, pouco a pouco, também obcecada, apaixonada, envolve-se no mistério que há na figura de Madeleine e o espectador segue com ele. Se ele confunde-se com a verdade, nós também nos confundimos. Há no roteiro a intenção de gerar a vertigem em quem assiste, gradativamente, assim como acontece a John. Esse processo parece desencadear-se no pesadelo do ex-policial: imagens aleatórias de espirais, olhares e lembranças do momento drástico, montadas e elaboradas com colagens e sobreposições experimentais. Tudo para que em 1958 um thriller psicológico fosse além das fronteiras do cinema americano.

A passagem de uma fase para outra no filme é marcada pela obsessão de John. Mesmo depois de ficar internado, catatônico por meses em um hospital, ele decide simplesmente continuar procurando por Madeleine. A busca o leva até Judy Barton. Extremamente parecida com a mulher por quem procura, Judy tem apenas a diferença do nome e o cabelo mais escuro. John inicia um jogo de pedidos à moça, para que ela se vista, pareça e seja como Madeleine.

É a partir daí que a narrativa passa a ser onisciente. Por uma vez, mesmo depois de John não estar mais com Judy, a câmera permanece fixa em seu olhar aflito. Neste instante ela tem um flashback em que se desfaz quase todo o mistério da trama. Mas também há para o espectador a revelação de que trata-se da mesma pessoa: logo em seguida ela escreve uma carta para John, contando toda a verdade. Se pouco depois desiste e rasga a carta, temos a confirmação de que na segunda etapa de Vertigo continuaremos observando um perfil falso. A questão é que, agora, apesar de sabermos de grandes verdades sobre o caráter da personagem, isso parece nos levar à confusões ainda maiores; mais vertigens. Mesmo sendo quase cúmplices, continuamos muito mais próximos das tonturas de John do que das mentiras de Judy/Madeleine. A imagem dela em perfil aparece e é extremamente destacada por um contra-luz esverdeado, quase onírico. O plano seguinte completa de forma fabulosa a montagem: Judy surge de frente para a câmera, mas com o rosto dividido pela sombra que está justamente na mesma direção de John.

Sobre Vertigo, Martin Scorcese disse certa vez que Hitchcok pretendia descobrir a essência da obsessão. Que retratou isso de forma brilhante usando tantas espirais e movimentos circulares no filme (assim como a trilha também é fantástica e construída em idas e voltas). Ora, correr em círculos ou repetir o que já havia feito é tudo que John faz durante a história. Não é diferente nos minutos finais. O protagonista leva Judy, agora já totalmente caracterizada como Madeleine, ao mesmo lugar onde anteriormente acontece a tragédia com a mulher que amava. Ali, afirma que deseja resolver sua grande dúvida – e sabemos que tudo é uma questão de livrar-se da culpa que carrega. A cena da escadaria que lhe dá vertigem virou referência clássica, e já não se pode contar quantos filmes a homenagearam.


John não resolve seus problemas. Numa grande ironia do diretor (imerso em seu humor negro nada confortável) a história é entregue nas mãos de um simples susto. Tudo se encerra com uma freira, um tropeção e mais culpa. Vertigo é uma aula de cinema primorosa, seja na força que a direção de arte e figurinos podem ter, ou na capacidade de um autor elaborar a significação de cada plano e como isso será montado. Mas Vertigo também é um filme de amor. Se as duas faces de uma mesma personagem são filmadas em perfil, os beijos entre John e Madeleine ou Judy, também são.


Ricardo Oliveira
abril de 2008

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Meme: minha banda randômica

- Sim, uma das metas nesse blog é ter um catálogo de posts inúteis em alguns anos. Só pra contar para os netinhos. Este aqui é um dos mais legais que você vai ver, hein?

Mateus Telacast Cardoso colocou no Fotolog e eu segui a idéia. Se você quiser fazer também, fica à vontade. Funciona assim:

  1. Acesse http://en.wikipedia.org/wiki/Special:Random – o título da primeira página aleatória que aparecer será o nome da sua banda.
  2. Vá pra http://www.quotationspage.com/random.php3 – as últimas quatro palavras da última frase da página formarão o título do seu disco.
  3. Acesse http://www.flickr.com/explore/interesting/7days/ – a terceira foto, não importa qual seja, será a capa do seu disco.

Meu resultado?

Baita absurdo interessante. E o legal é que o nome da banda acabou funcionando com o nome do CD e você pode traduzir tranquilamente para algo como… “Uma citação legal alemã nunca vai pegar…”

Quem fizer o seu, comenta por aqui!

Ricardo Oliveira

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Só perguntas

Improvável – jogo de teatro/comédia onde os atores participam através do improviso. Neste vídeo, o jogo “só perguntas”. A programação é baseada no programa gringo Whose Line is it Anyway e você pode conferir logo abaixo um exemplo de Only Questions, a versão original.

Qual vocês preferem?

Eu fico com a brazuca.

Ricardo Oliveira

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Rápido e rasteiro – sobre todas as coisas

primavera, verão, outono, inverno e…primavera

não, eu ainda não vi este filme oriental que por alguns é chamado de muito bonito e por outros de “pseudo-lindo”. Na verdade é apenas para comentar uma descoberta recente pra lá de interessante. Jon Foreman, vocalista do Switchfoot, me impressionou com um trabalho solo bem legal. São 4 EP’s lançados em 1 ano, um para cada estação. Seis músicas por álbum, alguns pontos bem altos, outros baixos, mas no geral um trabalho pra se ouvir por bastante tempo. Até porque o cara teve esta bendita sacada artística e de marketing, de lançar por etapas e de “categorizar” suas músicas de acordo com o clima das estações. Ele mesmo, em entrevista na CMT disse que gosta mais do Fall (outono, capa acima) e é realmente um dos mais legais. Até agora ouvi o outono, inverno e estou escutando o verão. Falta apenas a primavera. Se você gosta de Elliot Smith, Kings of Convenience, Derek Webb, vale a audição do cara. Fiquem com uma das minhas preferidas: The cure for pain.

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é, natal

continua linda, linda. por lá finalmente fui ao famoso Cinemark (primeira vez) assistir Agente 86. Filme divertido, sem apelações, rende gargalhadas e ainda tem umas sacadas políticas bem legais. Anne Hathaway está uma beleza de linda e no meio do filme eu pensava: queria ver como ela fica de cabelo curto. Pronto, ela aparece assim. Obsessões à parte, o Cinemark decepcionou no quesito “projeção”: o filme estava bastante escuro e por um bom tempo irritou vê-lo com um contraste alto e pouco brilho. Como tocou música muito boa antes do filme começar e a cadeira é realmente confortável, eu deixo passar.

a baleia atrasada

ainda por lá, no mesmo dia, vimos A Lula e a Baleia em DVD de uma maneira inusitada: pela primeira vez começamos um filme pelo segundo capítulo. Eu passei uns minutos estranhando o fato de não ter aparecido logomarca da distribuidora, nome do filme, nem nada. Até que depois de quase 30 minutos de filme descobrimos que realmente o disco pulou o primeiro capítulo. O filme é interessante, bonitinho, com uma boa caracterização dos personagens freak que são apresentados. Mas acaba meio vazio, bobinho, tentando poetizar mas sem conseguir porque durante o filme investiu pouco ou quase nada nisso.

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house house house house

o brother mateus encheu o laptop da minha irmã de temporadas de séries legais. Na volta pra casa mesmo eu fiz contorcionismo pra lutar contra o sol na tela do laptop e vi dois episódios da primeira de House. Tô viciado, admito. Mas tenho que enfatizar: David Shore é um gênio da TV. Ele não precisa inventar mais nada. Aí ele escreveu o episódio piloto e chamou o Bryan Singer (X-Men, Super-Homem: O Retorno) pra dirigir. Ficou uma coisa tão cinematográfica que a TV ensinou pra alguns manés como se faz cinema. House vale um post gigante. Gi-gan-te. Pra começar, já vale linkar o belo textinho do mestre Inácio de Araújo.

e mais: primeira/única temporada de Studio 60 e a primeira de Skins – uma série doidinha sobre adolescentes na Inglaterra.

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eu mico, tu micas, ele mica, nós micamos, vós micais, eles micam: cqc.

rapaz, primeiro lugar do TOP FIVE do CQC na última segunda foi diretamente desta terra chamada João Pessoa. Eu já tinha ouvido falar do vídeo… Um cara ae deixou o telefone tocar no meio da entrevista no JPB. Ai ai…

Ricardo Oliveira

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Gravei uma fita pra você…

Mixwit

Pessoas estimadas, estou partindo para uma viagem, desta vez mais breve, indo diretamente a uma terra amada que chamam de Natal, no Rio Grande do Norte. Como sempre, encontrar grandes amigos, curtir uns tempos legais e durante isso tudo, tentar contar histórias, fazer histórias ou tentar esquecê-las. Para os que ficam, para os de longe, para você (ou não), uma fita, dessas da moda de blog, bastante propícia. Se este fosse um blog pra discutir comunicação, eu diria: “meses e meses de sites elaborando players legais, mas ninguém nunca tinha pensado numa fita cassete. Brilhante.” Valeu, Romina!

Bom feriadão a todos!

Ricardo Oliveira

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Se o marketing é de guerrilha, tem que ter sangue

Dexter é uma das melhores coisas que já vi na televisão e, sem dúvida, uma das séries mais ousadas já produzidas. Quem assiste sabe porquê. Não é à toa que uma das melhores ações de guerrilha que já vi partiu justamente desta série. Fontes jorrando sangue… muitas fontes. Nova temporada dia 30 de setembro, nos Estados Unidos.

A fonte sem nenhuma modificação.

À noite, após a inserção da tinta.

Efeito durante o dia.

Em proporções menores…

E o detalhe da fitinha que constrói o sentido de forma brilhante: é referências às fitas de isolamento e, ao mesmo tempo, divulga o tema.

O pessoal vestido com batas de legistas e distribuindo folhetos da série.

Fonte: Fresh Pics

Para não perder o encejo, vale a pena dar uma conferida na página do Brainstorm#9 dedicada a mostrar todos os trabalhos brasileiros que ganharam prêmios no Cannes Lions 2008.

Ricardo Oliveira

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