NADA MAIS POR HOJE.
A viagem em si teve grandes motivos e o maior deles, sem dúvida, foi a amizade. Porém, o que se passava na minha cabeça em meio a tudo que vivi durante os últimos 12 dias, foi inspirado basicamente por três coisas. E não me venham com xurumelas.
1. Los Hermanos – Primeiro Andar.
A música, não este vídeo.
2. Fé em Deus e Pé na Tábua – Donald Miller.
3. Curtindo a Vida Adoidado – John Hughes.
Vídeo contendo o filme inteiro, com dublagem clássica da sessão da tarde.
Ricardo Oliveira
Lembro de uma vez ter assistido no Recorte Cultural o Michel Melamed entrevistando alguém em meio a uma exposição de arte contemporânea. No hall do lugar onde ele estava, havia uma instalação que era basicamente um datashow com um plano estático de uma mata e um trilho de trem. Havia um segurança justamente ao lado daquela instalação e o Michel foi lá perguntar pra ele do que se tratava. O funcionário disse que de 30 em 30 minutos um trem passava. Graças à velocidade que a TV nos proporciona, poucos segundos depois pude ver o trem passando. Mas não era um trem qualquer: havia uma montagem, que proporcionava a quem assistia, visualizar imagens nos vagões dele. Assim, podíamos ver por alguns poucos segundos um trem que passava carregando fotografias, vídeos dos lugares por onde trilhou.
É assim que me sinto hoje, quando chego em casa. Por isso, deixo pra vocês 05 fotografias que resumem uma viagem que durou 12 dias.
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Diante de certas coisas, a gente não diz nada.
Por FERNANDO MEIRELLES
Depois de uma semana que pareceu uma verdadeira montanha russa emocional, saí de Cannes no sábado e fui para Lisboa mostrar o filme “Ensaio sobre a Cegueira” para o autor da história, José Saramago.
Por meses, antecipei o quanto a sessão me deixaria ansioso _e não estava errado.
Infelizmente, o cine São Jorge, que nos foi reservado, não tinha projeção digital, então foi improvisado um sistema para passarmos nossa fita. Pensei em desistir de mostrar o filme ao ver um teste da projeção, mas o escritor já estava na sala de espera e, em respeito ao compromisso, achei melhor ir em frente.
Sentei-me ao seu lado, expliquei aos poucos amigos presentes que só havia legendas em francês e começamos a ver o filme. Sofri cada vez que uma imagem não aparecia ou que uma música mal soava. Ele assistiu ao filme todo mudo e sem reação nenhuma.
Ao final da sessão, quando os créditos começaram a subir, sua mulher, Pilar, debruçou-se sobre Saramago e me agradeceu, emocionada. Silêncio ao meu lado. Antes de terminar os créditos principais, as luzes do cinema foram acesas, eu ousei olhar para o lado e vi que ele fitava a tela sem reação, como se estivesse interessado no nome dos assistentes de cenografia que passavam.
Deu tudo errado, pensei. Toquei seu braço levemente e lhe falei que ele não precisava comentar nada naquele momento, mas, então, com uma voz embargada, ele me disse, pausadamente: “Fernando, eu me sinto tão feliz hoje, ao terminar de ver este filme, como quando acabei de escrever ‘O Ensaio sobre a Cegueira’”.
Apenas agradeci e ficamos ali quietos. Dois marmanjos segurando as próprias lágrimas em silêncio. Ele passou a mão nos olhos, disfarçando a sua.
Pensei no meu pai. Emoção sólida, dessas que se pode cortar em fatias com uma faca. Num impulso, beijei sua testa. Na conversa e no jantar que se seguiram, ele disse que não considera o filme um espelho de seu trabalho e que nem poderia ser assim, pois cada pessoa tem uma sensibilidade diferente.
Disse ter gostado da experiência de ver algo que conhecia, mas que, ao mesmo tempo, não conhecia. Falou que o filme não era perfeito, mas que nunca havia assistido a um filme perfeito. Comentou algumas imagens que o emocionaram especialmente e disse ter achado o nosso Cão das Lágrimas muito doce; preferia que fosse mais agressivo.
Quando lhe contei sobre as críticas favoráveis e contrárias ao filme em Cannes, incluindo a da Folha, ele imediatamente lembrou e recontou aquela historinha do velho que vem puxando um burro montado por uma criança.
Um passante vê aquilo e acha absurdo a criança estar montada enquanto um velho caminha, então eles invertem a posição. Outro passante cruza com o grupo e reclama da situação: “Como um adulto deixa uma criança a pé enquanto vai confortavelmente montado?”. Então, os dois montam no burro, mas alguém acha aquilo uma crueldade com um animal tão pequeno.
Finalmente, resolvem ambos carregar o burro nas costas, até que outro passante observa como são estúpidos por carregar o animal. E, enfim, o velho decide voltar para a primeira situação e parar de dar importância ao que dizem.
“É isso que faço sempre”, concluiu o escritor.
Acabo de deixar José Saramago e sua mulher no Ministério da Cultura de Portugal, onde está sendo exibida uma retrospectiva de seu trabalho e sua vida.
Houve uma pequena coletiva de imprensa ali, depois de visitarmos juntos a exposição. Meu filminho de menos de duas horas me pareceu muito insignificante ao ser colocado ao lado daquela obra de uma vida inteira.
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Ricardo Oliveira
Brooklin
Thiago tinha um compromisso de trabalho no bairro, que é um dos pontos onde as grandes empresas de tecnologia estão. Prédios espelhados, gente engravatada e hotéis muito chiques (como o famoso Hilton). Claro que não é o bairro inteiro assim, tem uma parte menos toptop, porém, o número de mulheres bonitas por metro quadrado (em todas as ruas) é altíssimo. Desculpem, leitores.
Andei bastante pela região e toda a área é basicamente para executivos: restaurantes de todos os tipos, táxis e bancas de revistas. Vagando sozinho feito um flaneur pelas ruas, acabei esbarrando numa cafeteria mais modesta, da qual nem o nome eu sei – pois acho que não o tem. Foi ali onde achei a raridade: um café expresso em SP pelo mesmo preço e quantidade que vocês encontram aí em João Pessoa. E como era bom! Gastei um tempo ali descansando, escrevendo e saboreando a bebida com bastante açucar, como eu gosto.
Depois eu fui bater nos shoppings Morumbi e Market Place. Lojas, lojas, lojas. Nada de ultra-especial, além da organização, do design das lojas, o que se vende nelas – e das vendedoras também, desculpem, leitoras, outra vez.
No Morumbi Shopping tem duas coisas bem legais: uma Fnac (onde comprei o livro Até o Dia em que o Cão Morreu, de Daniel Galera) e o CineTam – que é especial na ambientação e organização da coisa. Os preços são salgados para o público da região e os filmes são basicamente blockbusters.
Já no Market Place tem a segunda Livraria Cultura que também é linda e continua me causando quase-epifanias. Bom, pra não perder o costume, fui na Americanas de lá e acabei encontrando ótimos filmes naqueles famosos 12,90. Fato é que, como não sei se acharei em João Pessoa a edição com extras de Kill Bill por esse preço, comprei, sem pestanejar. E meu saldo de compras culturais está acabando. Isso, obviamente, pelo fato de se gastar por volta de 11 reais por dia com transporte.
Pra terminar, aqui em SP agora tem uma super curiosa: bater fotos é proibido. Simplesmente proibem você de fotografar as coisas em São Paulo. Na estação de trem, estava um visual super bonito do Pinheiros, com umas árvores legais (apesar de fedido). Disse a Thiago que iria bater uma foto e ele me replicou afirmando que era proibido: o segurança poderia vir e avisar que era assim. E desse jeito também foi com alguns prédios do Brooklin e, até onde sei, dentro de alguns shoppings também rola isso. Para ver todas as fotos, acesse meu Flickr =).
Até amanhã!
Ricardo Oliveira
Meu dia foi na Paulista. O amigo Sérgio Pavarini (thaaankz!) me buscou no aeroporto, pegamos trânsito, mas chegamos tranqüilos na mais famosa avenida da cidade. A coisa toda é realmente monumental, bonita – e cheio de gente bonita. Claro que lá é uma área meio de empresas top e etc. Assim, você encontra um número alto de pessoas engravatadas.
Conheci a badalada Livraria Cultura – e realmente ela é tudo e mais um pouco do que falaram. De repente encontro o vinil do In Raibows por 79 reais. Só não comprei porque não tenho toca-discos, mas ainda penso seriamente no assunto. E ainda: Whinehouse, trilha do Juno, do I’m Not There, The White Stripes…tudo em vinilzão. Boquiaberto.
Depois vi um péssimo filme no HSBC Belas Artes. Particulas Elementares é preconceituoso, desrespeitoso, falso-otimista, falso-pessimista. Um caos de filme que de nada valeu…infelizmente. Na verdade eu o assisti porque a sessão de O Sonho de Cassandra já tinha começado.
Já à noite, encontrei finalmente com o Thiago Bomfim…o “livreiro” que está me hospedando (thaaaaankz!). Que figura! =] Depois o Pava voltou com minha mala e também encontramos com o Volney Faustini. Noite extremamente prazerosa, com papos fantásticos e amizades agora em live action.
Os registros fotográficos…todos no Flickr. É só clicar e ser feliz.
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Ricardo Oliveira

O diário de bordo sempre começa antes da viagem em si, mas ninguem fala: existem malas para ser feitas, coisas para comprar, abraços para se dar e ansiedades para sofrer.
É 01:22h da madrugada, minha mala não está arrumada e eu estou cansado. Fato é que amanhã às 16:30h pego ônibus para Recife onde passo a noite e, na segunda-feira, às 07h eu pego o avião pela Varig.
Chegarei em SP por volta das 10h e aí vocês vão esperar as notícias do próximo capítulo.
Até lá, no mais, o layout novo do blog vai ficar pra depois…quem sabe até durante essa semana mesmo. =]
É isso,
aquele abraço pra vocês. Se eu sumir, não se preocupem, em caso de sequestro eu mando que avisem na TV.
Ricardo Oliveira