Archive for September, 2007
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A "ricardice" que há em mim

Tem momentos na vida que você quer escrever um texto e descobre que não precisa: há um Ricardo logo ali ao lado, com o texto pronto, dizendo tudo que você queria ter dito. Valeu, Gondim. [Hoje é sabado, garanto que você tem tempo pra ler]

Sorriso maroto

Sabe? Nesses tempos meio desesperançados, meio doidos e doídos, preciso fazer uma confissão pública: tenho inveja de quem não tem seguidor, não defende uma reputação, não segue qualquer escola de pensamento, não se filiou a um partido político, não precisa vestir paletó (fato, irmãos portugueses), não guarda dinheiro na poupança, não tem eira nem beira.

Puxa, como deve ser gostoso sentar e escrever o que quiser sem precisar explicar que continua coerente com o que redigiu há seis anos. Quando crescer ainda vou ser um anarquista! E quando morrer quero que o meu céu seja bem bagunçado, cheio de gente conversando, lotado de mesas desarrumadas e sem etiqueta social. Quero ser recebido por um anjo com a camisa para fora das calças e de chinelo. (Lá, vou palitar meus dentes sem cobrir a boca).

Penso em começar a escrever usando um pseudônimo. Talvez eu vá me chamar de “Zé Alguma Coisa” – ou talvez opte por um nome árabe, já que os escritores de lá ganham muito dinheiro empinando pipas. Se algum dia eu me tornar um “Zé Alguma Coisa” vou anarquizar com todo mundo, começando por mim mesmo e elogiar os que não merecerem.

Quero ter a liberdade de xingar as imbecilidades religiosas, falar de perdão para os piores pecadores e oferecer esperança para os tipos mais estranhos. Para isso, vou valer-me de metáforas insanas e de argumentos bem absurdos.

Prometo assumir minha legítima verve cearense. Ainda vou tornar-me um repentista, comediante ou romancista regionalista. Ambiciono transitar desde o José de Alencar até o Tiririca. Ora, na minha terra, que é seca, até o sol é vaiado quando rompe com as nuvens e estraga a perspectiva da chuva. Sendo assim, espero poder vaiar quem eu quiser – inclusive a mim mesmo.

Vou apupar os professores que papagaiam teologias sistemáticas redondinhas, copiadas de compêndios fundamentalistas da década de 1940. (acontece que já não agüento teorias que mostram um Javé sanguinário, que antes das pessoas nascerem, as condenou ao fogo eterno); vou zombar dos “levitas” emplumados que tentam parecer com os artistas da Globo; vou rir dos “apóstolos”, especialistas em curar caroços do corpo.

Ainda hei de voltar a dormir com meu sorriso maroto da adolescência – chega de cenhos franzidos. Sinto que a vida tem que ser levada mais na esportiva, na “maciota” como dizem os boêmios, e é assim que almejo encarar meus últimos dias: sem a sofreguidão dos austeros ambientes farisáicos.

Ah, como tenho ciúmes de quem se rodeia de amigos que sabem fazer batucada na mesa, transformando cada refeição numa gostosa farra enquanto se abraçam publicamente.

Quero aprender a usar a vida como argamassa para minha pobre poesia. E se alguém rotular-me de maluco, responder com uma gostosa risada; se avisar que perdi o senso, aplaudir; se advertir que caminho para a perdição eterna, agradecer com um beijo na testa.

Sem lenço, sem documento, sem peso nos ombros e sem culpas persecutórias, vou assumir minha Ricardice – dizem que isso previne vários tipos de câncer.

Soli Deo Gloria.

Ricardo Gondim
[FONTE: Pavablog]


Ricardo Oliveira

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Oficina de fotografia digital
Foto: Ricardo Oliveira / Março 2007

Aproveitei o curto período de férias de junho deste ano para promover uma oficina de introdução à fotografia e outra de cinema e vídeo. Ensinar está no sangue e, mesmo que eu ainda não domine o que pode ser chamado de avançado nas linguagens dessas artes, senti que poderia passar para algumas pessoas o conhecimento básico, proporcionando assim, que elas pudessem compreender melhor o mundo das imagens – sejam paradas ou em movimento.

O Paizão mandou outra oportunidade e eu tô bem feliz por isso: nos próximos dias 01, 02 e 03 de outubro estarei ministrando pela segunda vez uma oficina de fotografia digital. Ela acontecerá durante o Fórum de Arquitetura do Unipê e será no período da tarde. Ainda não recebi todas as informações e não sei se será aberta à cidade, mas, acredito na possibilidade. Ela custará apenas R$ 10,00, com direito a apostila em CD-Rom e certificado. Abaixo, o breve e humilde currículo do desconhecido blogueiro (e também o link do fotolog com mais informações sobre o conteúdo da oficina, além do portfólio que está enxuto online).

Oficina de Iniciação em Fotografia Digital
Onde: Fórum de Arquitetura do Unipê
Quando: 01, 02 e 03 de outubro, à tarde.
Quanto: R$ 10,00 com direito a certificado e apostila em CD.
Ministrante: Ricardo Oliveira é pré-concluinte do curso de jornalismo da UFPB, fotógrafo, videomaker e cinéfilo estudante das linguagens audiovisuais no campo teórico e prático. Ministra oficinas de iniciação em fotografia digital, cinema e vídeo e, atualmente, edita o blog Diversità.
Informações: rosemildof@hotmail.com

[ Portfólio de fotos + informações ]
[ Portfólio de vídeos]

Ricardo Oliveira

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Jejum de comentários?


Pensando bem, esse negócio de assertividade não está com nada. Ainda bem que a luz apagou. Vocês não iam gostar nem um pouco e me castigariam com mais um dia sem comentários. Sabiam que quando meus posts não são comentados eu preciso ser internado? É, sobe a pressão, tenho sudorese, diarréia, vômitos em jato e tremores. Vocês acabarão me matando.
[Lou, em sua Gruta]

- E aí eu pergunto: cadê vocês?! Eu ando me identificando com o Lou, hein? De repente, quando vocês se derem conta, estou estatelado no próximo feed!

Ricardo Oliveira

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Últimas: filme e show meia-boca, oficina perfeita

Em tempo, faço comentários rápidos pra não ficar sem postagem hoje, nesse dia maluco:

- Anote que Casa de Areia e Névoa não deve ser um filme a ser locado. Dessa vez, nem a beleza da Jennifer Connelly consegue salvar a produção. Mais uma tentativa sem nexo de revelar os problemas das nações do oriente médio com os EUA através de pequenas células e situações cotidianas. Péssimo.

- Anote que se a banda Blues Power passar pela sua cidade, só compre o ingresso se você for do tipo de pessoa que consegue ouvir blues cantado em português também. A banda toca muito, mas o repertório é fraquinho. Quero dizer a galera da Oi Blues By Night que, quando anunciarem uma grande atração, tragam-na! Greg Wilson, ex-vocalista do Blues Etílicos, canta pra gente dormir e o country blues que ele toca é muito chato. Eu e o amigo George, que até agora foi comigo aos três shows de blues que tivemos esse ano, constata o ranking: em primeiro lugar, disparado, vem o blues canalha e sem palheta do Nuno Mindelles, em janeiro, de graça, na praia; em segundo lugar, a entrada magistral de Vasco Faé tocando gaita com um megafone no primeiro Oi Blues By Night desse ano; em terceiro…bom, estamos esperando.

- Anote que uma oficina com SomCatado é uma oportunidade única e imperdível. É o Stomp sem sapateado e com sons brasileiros; simplesmente demais. Vale a pena e é de graça. Aos que estiverem no show de Nando Reis, não cheguem atrasados, eles vão abrir a noite tocando junto a alguns alunos da oficina. Abaixo, confira um dos vídeos do grupo.

Ricardo Oliveira

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Podcast #06 – O Retorno: instrumental de qualidade

Séculos depois, nessa terra sem lei, chamada internet, o podcast está de volta! Sim, sou persistente e ainda estou usando o microfone pra azucrinar vocês com comentários nada úteis sobre as escolhas da semana.

Dessa vez, uma edição especial com música instrumental de qualidade. Muito violão, por sinal. Dei aquela vasculhada e fiz uma seleção de sons de qualidade para os amantes daquela música pra relaxar. Grandes virtuoeses como Satriani, Al de Meola e Baden Powell estão na playlist que você não pode deixar de ouvir:

1. Joe Satriani
You Saved My Life
2. Nuno Mindellis
Chica e Sarah Loops
3. John McLaughlin, Paco de Lucia, Al de Meola
Guardian Angel
4. Baden Powell
Euridice
5. Yamandú Costa
Sampa

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Ricardo Oliveira

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[Especial] A louca geografia da alma

Conheci André Morais ano passado, quando ele retornou ao curso de jornalismo, depois de haver trancado para investir nas viagens que sua vida como diretor de cinema lhe proporcionaram. Na verdade, descobri seu lado cinéfilo aos poucos e, só depois de alguns meses, de algum modo que já não lembro mais, fora-me revelado que ele era o premiado diretor do curta-metragem Alma.

A questão é que já não era mais isso que ele estava vivendo, agora dedicava-se aos ensaios da peça que ele já caminhava há algum tempo, carregando numa mala vermelha um personagem louco, direto da rússia. Daí pra frente, conheci aos poucos o André ator e diretor de teatro, dedicado e bastante seguro em seu trabalho.

Estudando jornalismo juntos, cursamos no primeiro semestre deste ano, a disciplina “Laboratório de Telejornalismo”, na qual pudemos experimentar diferentes formatos de produção audiovisual (desde um videoclipe de fotos até um documentário). Não trabalhos juntos, o que proporcionou que numa das atividades pudéssemos realizar uma entrevista perfil sobre seu trabalho, esta que hoje trago para os leitores do DIVERSITÀ.

No próximo final de semana os pessoenses poderão conferir uma breve temporada da peça Diário de Um Louco – o monólogo interpretado por André, que co-dirige com Jorge Bweres. Desta vez no Teatro Paulo Pontes, o espetáculo será apresentado no sábado e domingo, às 20h. Leia aqui a crítica publicada no blog, na época da temporada no Theatro Santa Roza.

No vídeo você poderá saber mais sobre o processo de pré-produção da peça e como foi o primeiro contato de André com o texto. Uma entrevista num clima descontraído, realizada na Usina Cultural da Saelpa. A reportagem foi realizada entre maio e junho passados e aqui, nesta versão, está compactada (o original tem 24 minutos).

Espero que gostem da nova empreitada do blog e perdoem o amadorismo deste humilde entrevistador bem tímido.

Ricardo Oliveira

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Pátria Nova Brasil

A história conta que o filósofo grego Diógenes, um certo dia, saiu pelas ruas de Atenas com uma lanterna acesa. Não seria estranho, não fosse o fato de ser em plena luz do dia. Quando questionado a razão daquela atitude, ele respondeu: “Procuro um homem honesto” .

2.400 anos depois desse episódio, sinto uma frustração “diógenistica” quando me ponho a pensar no atual cenário nacional, mensalões, mensalinhos, , sanguessugas e despostas no senado, uma verdadeira crise na ética, na moral e no conceito geral da honestidade nacional.

Meu poço parece cada vez mais fundo, quando vejo as leituras que os antropólogos e os filósofos fazem do momento nacional. Parece que nosso povo tupiniquin ama o seus “jeitinhus” está bem confortavel em tirar vantagens em cima dos seus companheiros. Alguns culpam nossa colonização lusitana, pelo legado da exploração dos mais fracos, outros o mal exemplo dos nossos representantes políticos. Humildemente, reconheço que nao reconheço de quem é a culpa, sei que venho gritando desesperadamente para que alguém me jogue uma corda e me tire desse poço, não estou nem um pouco confortável com o cenário canarinho, e sei que muitos estam comigo nessa. Nossa nação merece uma revolução ética e moral e urgente, nas palavras da Elisa, “Só de sacanagem” , precisamos ser honestos, usar nossa habilidade para “driblar” os mals costumes e sermos zelosos com o pais do futebol.

Amo uma poesia do profeta Arnaldo Antunes, SOIS com um acento agudo colocado entre parentesis sobre o “I”, que lê-se (sois soís) que nos relembra da nossa tarefa de trazer luz a nossa sociedade. Somos todos seres dotados do incrivel poder de mudar a cultura e o ambiente em que estamos inseridos. Não precisamos deitar em berço esplendido esperando a morte da bezerra ou de nós mesmos.

Brilhemos como povo brasileiro, em honestidade, sem “jeitinhus”, sem falcatruas e que nossa honestidade como povo reflita na nossa política, na nossa sociedade, nas ruas.
Que seja gritado dos telhados e ouvido nas ruas novos tempos e uma nova nação, pátria amada Brasil.

Pedro Macedo

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