Archive for June, 2007
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Diário de Um Louco (André Morais e Jorge Bweres)

Quando o mundo não nos cabe mais

Esperava no hall do Santa Roza e, com alguns minutos de atraso, foi indicada a entrada lateral para o espetáculo. Nunca visitei o palco do teatro (apenas o do Paulo Pontes) e a experiência de entrar por ali, me fez, logo de cara esquecer o teatro. Um homem – vestindo capote escuro, gravata vermelha, camisa branca, calças combinando com o capote e bota de cano curto – esperáva-nos, olhando atenciosamente para aqueles que adentravam e se aconchegavam da chuva leve que caia lá fora.

As luzes se apagam, acendem depois de curta pausa, e o mesmo homem então começa a conversar conosco. Conta sobre certo dia em que vai ao trabalho como de costume, cheio de considerações sobre seus superiores, afirmando toda sua insatisfação pelo cargo que exerce. Pelo seu modo de vestir e falar, pelos fatos narrados, entramos no século XIX acompanhados pelo tom pretensioso do personagem. Ele fala mal do companheiro que encontra na rua, fala mal até do seu chefe.

Encontra, ao chegar na repartição onde trabalha, a filha do diretor. Extremamente encantado, torce por um simples olhar que traga atenção para si. A frustração do trabalho agora também é frustração amorosa e o máximo que consegue é descobrir que a cadela da moça pode falar. A cadelinha conversa com outro cachorro e relata algo sobre ter enviado uma carta. O nosso homem da repartição finalmente repara o quão estranho é o cachorro falar ou a notícia recente de que duas vacas entraram numa loja e fizeram um pedido.

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Diário de um Louco, peça de André Morais e Jorge Bweres, baseada no conto homônimo de Nikolai Gogol, estréia em João Pessoa depois de viajar por diferentes estados no Brasil e trazer consigo alguns prêmios. Depois de longa espera (resultando em extremo cuidado nos detalhes), finalmente o público da capital pode adentrar no mundo do realismo russo de Gogol e na interpretação viceral de André Morais.

A peça investe na fuga do clichê do palco italiano para trazer uma aproximação maior ao espectador. Assistimos ao espetáculo em cima do palco, bem próximos de André. Vemos o suor, vemos os detalhes da roupa… ele fala bem de perto, olhando em nossos olhos. E nesse bem-de-perto, é que encontramos a loucura do personagem. Nos identificamos de cara com alguém que vive o que todos vivemos: dficuldade de relacionamento, frustração amorosa. E podemos ir mais além: nos identificamos porque, assim como o personagem anônimo que temos à nossa frente, narrando seus dias mais recentes, imaginamos em excesso o que o outro está pensando sobre tudo que nos cerca, sobre nós mesmos.

E nesse imaginar, nessa construção infinita que pode nos levar a diferentes lugares, imagens e referências, aos poucos suspendemos os símbolos dessa ‘vida-real’. A mala e o guarda-chuva sendo pendurados no infinito é dos símbolos mais ricos que já vi num palco (e eu não perdia por esperar mais).

A trilha sonora, produzida pelo grupo Compomus (vanguardista na UFPB, na cidade?), é de uma sutileza perfeita à peça (também premiada). Ela não se expõe como mais importante que o texto ou ato-cênico, não é meramente ilustrativa. Parece mais ser uma representação ideal da mente do personagem: notas agudas de um piano que, às vezes, semi-tona propositalmente: metáfora da loucura que vemos no palco – nada tem de lugar-comum, é construída a partir das pequenas “semi-tonadas” daquela vida.

O homem então descobre que pode ser além do simples consultor titular na repartição. Quem sabe…general, quem sabe…diretor? Descobre que a Espanha está sem rei. Por que não, general, diretor? Por que não, rei da Espanha?

Usando então o cenário (enormes tecidos com escritos à mão, representando o diário citado no título) como manto real e seu relógio como coroa, nosso personagem se auto-proclama Rei da Espanha. Agora sim, tem nome; nome de rei espanhol: Fernando VIII, Rei da Espanha (perdão se erro a numeração, a memória falhou).

Tudo já está suspenso. André Morais é aquele homem durante 50 minutos. Aquele homem é Fernando VIII hoje, ontem ou anteontem – não sabemos. Tudo já está suspenso, exceto o tempo. Por fim, um relógio é pendurado e já não sabemos quanto tempo passou, quanto tempo ainda durará. Sabemos somente que, quando o mundo não nos cabe mais, criamos outro.

Diário de um Louco” no Teatro Santa Roza dias 28, 29 e 30 deste mês, e nos dias 6, 7 e 8 de julho, sempre às sextas e sábados (21 horas) e domingos (20 horas). Os bilhetes de entrada estão sendo vendidos ao preço de R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (estudante).

Ricardo Oliveira

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"Newsfastter"

[no mínimo]: portal de blogs sobre cinema, literatura, política, economia, games, cotidiano, música, culinária e…etc, etc, etc, está prestes a acabar. Dói: sou leitor assíduo do olha só, zuenir ventura e sempre dei passadelas no que me chama atenção nas outras páginas. Pois bem, Tutty Vasques garante que do dia 07 o portal não passa. Ventura traz, então, texto apaixonado. Vale a pena.

[fake ministries]: “Ao ser indagado se já havia encontrado o Diabo, já que fala tanto dele em suas músicas, o cantor [Marilyn Manson] polemiza: “Ele está dentro de mim, talvez ele poderia ser meu irmão gêmeo. De qualquer modo, foi por isso que escrevi You, Me and the Devil Makes 3 (Você, eu e o Diabo Formamos Três). Naquela música, eu falava comigo mesmo.” Leia mais no Pavablog.

[youtubado]: Phillipi Barcinski, diretor do longa Não Por Acaso, tem dois dos seus curtas-metragem disponíveis no Youtube. Janela Aberta, o primeiro deles (que concorreu em Cannes), tem protagonista com traços que nos lembram os personagens do novo filme. Extremamente preocupado com a organização, porém, noiado com a possibilidade de tê-la perdido. Clique aqui e confira.

[doxologia]: Lucas Souza liberou em seu blog a lista das músicas que gravará no próximo dia 01 de julho. De cara lembrei ‘duns’ anos atrás, acho que me fez bem.

[faroeste moderno]: ontem, depois de assistir ao ótimo Não Por Acaso, ainda corri e, na curiosidade, fui assistir ao DVD de Exilados do diretor chinês Johnnie To. Ok, eu “sabia” o que era cinema de ação até conhecê-lo. Clique aqui para ver o trailer.

[êeee boiada]:


fonte: Monkey News

Ricardo Oliveira

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[des]controle

Até que ponto você pensa que controla a sua vida? Barcisnki tem um toque de classe nessa história extremamente paulistana (mesmo sem nunca ter passado mais de um dia na cidade, dá pra sentir) e universal: dois homens vivem a dor de uma tragédia e as consequências que isso pode trazer. Me doeu, me fez rir, chorar. Lindo. Clique aqui para ver o trailer.

Não Por Acaso, de Philippe Barcinski.
Cotação: ****

* queira distância
** nada de mais
*** interessante
**** eita! vai logo assistir!
***** já encomendou o DVD?!

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Cabeças de rádio

OVNI para os que nunca se dedicaram a encontrar algo além da pop music mundial, a banda britânica Radiohead é pérola para os que sempre tiveram um pé (ou os dois mesmo) no alternativo.

Começaram com o álbum The Bends e já obtiveram ótima repercussão. Mas, foi com o aclamado Ok Computer em 1997, que eles alcançaram o auge do sucesso e da qualidade musical. Muitas revistas e jornais elegeram o álbum (alguns anos depois) como o melhor disco de rock já lançado na história. E então você pergunta: porquê?

Radiohead é sinônimo de uma música vanguardista, algo que já não se esperava na década de 90 (e talvez não se espere mais hoje em dia também). Uma mistura do que existiu de melhor no rock e do que ainda existiria tanto nesse estilo como na música eletrônica.

As letras de Thom Yorke (vocalista) refletiram e continuam revelando as camadas deste mundo em diferentes aspectos. As guerras, as novas tecnologias, e o liquidificador paranóico que pode juntar tudo isso. Não é a toa que a faixa mais famosa do CD, considerada emblemática para o rock mundial, Paranoid Android, declara:


Quando eu for rei você será o primeiro contra a parede
Com suas opiniões que não servem para absolutamente nada
O que é isso?
(Eu posso ser paranóico, mas não um andróide)

Todo o pessimismo de suas letras, atraiu a muitos justamente por refletir o pessimismo daquela geração. Atualmente, parece que temos um mundo que já não se importa com este pessimismo (e esse não se importar, também já revela outros problemas), porém, em Fake Plastic Trees um dos primeiros singles do Radiohead, do cd The Bends, já anunciava que os relacionamentos de plástico eram reais:

Ela parece verdadeira
Ela tem sabor verdadeiro
Meu amor artificial de plástico
Mas não posso evitar o sentimento
Eu poderia explodir através do teto se eu simplesmente me virar e correr

E Isto me desgasta
Se eu pudesse ser quem você queria
o tempo todo

Airbag, faixa de abertura do Ok Computer, mostrou então a aflição de Thom Yorke revelando algo que muito nos interessa. Na letra, Yorke traz a idéia de que somente nascendo de novo (na sua visão, morrendo e começando de novo, ou destruindo tudo com uma Guerra Mundial) seria possível voltar para salvar o mundo. Então ele promete:

Na próxima Guerra Mundial
Em uma curva fechada de um caminhão
Eu nasço de novo
Em um sinaleiro de neon
Correndo para cima e para baixo
Eu nasço de novo
Numa explosão interestelar
Eu estou de volta para salvar o universo
No profundo sono
da inocência
Eu nasço de novo
Num carro alemão veloz
Estou impressionado por ter sobrevivido
Um airbag salvou minha vida
Numa explosão interestelar
Eu estou de volta para salvar o universo

A letra também revela mais pessimismo dessa geração: já não é mais salva por ideologias, visões políticas ou por Deus. Mas por um airbag. Airbag que aparece como salvador apenas na situação limite, no instante que precede um possível fim. Não, não foi um anjo, foi apenas um instrumento da tecnologia atual. Mais vazio e niilismo.

O conceito e a crítica a ele mesmo, continua por aí. Recentemente, foi bastante difundida no underground da música brasileira, a canção Semáforo, do grupo Vanguart. Com um som e conceitos bastante influenciados por Radiohead, a banda então canta:

(…)
Eu não ouço você
Eu não creio em você

Só acredito no semáforo
Só acredito no avião
Eu acredito no relógio
Só acredito
Só acredito
(…)

Todos meus amigos
Todos meus amigos….querem…morrer..uuuuuu
Querem morrer

Cabeças de rádio que parecem estar mais antenadas do que muitos em perceber, analisar e criticar este mundo. Músicas que nos fazer pegar um ônibus espacial e em Júpiter olhar para a Terra e dizer tudo isso…ou não. Porém, qual o tamanho do vazio?

Ricardo Oliveira

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No surprises


“Mostre-me um evangélico entre 15 e 50 anos, e eu te mostrarei um evangélico que pode contar essa história (ou algo parecido com isso): Eu ouvia música sécular, então deixei isso de lado e passei a ouvir somente música cristã. Logo percebi que eu não gostava muito da música cristã, e aí, lentamente, comecei a ouvir música secular outra vez. Agora, eu escuto David Crowder Band nas manhãs e Radiohead no carro, voltando pra casa.”

Patton Dod, no começo do artigo que meu inglês permitiu entender apenas o primeiro parágrafo, no site da revista Christianity Today. Alguém se habilita a traduzir inteiro?

David Crowder Band:

Radiohead:

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Ricardo Oliveira

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Vícios bloguísticos e descobertas


O melhor de ser viciado em visitar blogs é o que você pode descobrir através deles. Interessante o fato de que não acesso mais (sempre tento me corrigir, mas não consigo) os portais noticiosos. Todo mundo está sempre acessando o famoso G1...eu devo passar por lá no máximo uma vez por mês. Claro: tudo que acontece de realmente interessante no mundo pode ser descoberto em alguns 10 ou 20 blogs que acesso por dia.

Batalho semanalmente em busca de blogs cristãos de qualidade. Aqueles que não tem visão bitolada, dicotômica e afins. Os que sigam, preferencialmente, o estilo dos blogs em geral: livres da opinião mainstream (que zica, hein? existe um mainstream cristão).

Mas, a coisa de achar novidades, assim sem querer, funciona basicamente assim:

- Numa das últimas postagens, agradeci ao Pavarini por seu blog e o incluí na lista de links legais pra vocês. Isso fez com que ele tivesse o insight de criar uma área semelhante no seu blog, incluindo as páginas de amigos (inclusive este aqui, valeu Pava!). Assim, cliquei no blog da editora W4 (salve, salve!) o que me fez achar o site do cantor Jorge Camargo (tive interesse em acessar seu site graças a uma música que ouvi no podcast da W4). Logo que acessei o site do Camargo, achei no menu de opções, os livros que ele traduziu.

E daí? E daí que ele não colocou somente os livros que traduziu e já foram publicados…mas os que ainda serão. Logo, ele revela um ótimo segredinho dos editores da W4 (uhuhu!):

“Viciados em Mediocridade – os cristãos contemporâneos e as artes”

Ok, depois do lançamento “Cristianismo Criativo?”, o ótimo conselho editorial da W4, já está preparando mais um livro para abrir a cabeça dos artistas cristãos brasileiros. E que título!

Só não comprei ainda porque o livro não “existe” ainda!

Mas, por enquanto deixo vocês com o que já existe.

Cristianismo Criativo?

Steve Turner, 2007, 176 páginas, brochura

Compre aqui

E você? Quais descobertas faz navegando na construção abismal da internet?

volto mais tarde,
abraço’s
Ricardo Oliveira

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