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Rafael Coutinho e o “Beijo Adolescente” em João Pessoa

Rafael Coutinho (co-autor da genial “Cachalote”) estará em João Pessoa neste sábado, às 19h lá na Comic House, lançando “O Beijo Adolescente”. Coutinho produziu a série de HQs para o portal iG e lança esse álbum em formato ~gigantão~: 40 x 24cm.  O livro será vendido por R$ 25 e me parece que o autor trará outros itens da sua loja, a Narval Comix. Eu vou!

A capa do álbum – clique para ampliar:

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Supermercado (Eduardo Srur e Fernando Huck, 2012)

O curta brasileiro que está entre os finalistas do Vimeo Awards 2012 segue o princípio geral do melhor cinema de horror: a transformação de alguém numa monstruosidade e uma crítica social esfregada na sua cara. Eis o humano de hoje, pelo avesso.

“Supermercado” me interessa muito mais como filme com pitadas de realidade do que como uma proposta de performance (como os diretores parecem descreve-lo em sua página).

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John Mayer: solitude e esperança em “Shadow Days”

Mayer de volta, cantando esperança depois de passar por um câncer. Dá gosto de ver.

“Hard times help me see
I’m a good man with a good heart
Had a tough time, got a rough start
And I finally learned to let it go
Now I’m right here, and I’m right now
And I’m hoping, knowing somehow
That my shadow days are over
My shadow days are over now”

Dicona do sr. Breck no feice.

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Cicatrizes (David Small, 2010): alguns pensamentos

Trecho de "Cicatrizes", de David Small

* Em sua narrativa de memórias da infância, David Small não nos priva do sofrimento que viveu em casa. Seria fácil para ele, assim, tomar a postura de juiz dos seus pais, tantos anos depois: em seu lar repleto de frieza e falta de atenção, aos 14 anos descobre que um caroço no pescoço, ignorado pela família, era um câncer que o faria perder a força vocal. Mas não é isso que o autor faz.

* “Cicatrizes” possui um ponto de vista complexo em sua narrativa: o que vemos é uma criança crescendo e descobrindo emoções, vivências que o afetam; o que lemos, porém, é a análise posterior do autor, relembrando tudo aquilo que viveu com um cuidado poético. Ele entende hoje, por exemplo que cada familiar tinha seus ruídos e silêncios – formas de expressar, tantas vezes, aquilo que se quer (ou não) dizer.

“Minha mãe tinha uma tosse chata. Às vezes, chorava em silêncio às escondidas e batia as portas dos armários da cozinha. Era a linguagem dela”.

Cada um com sua linguagem em casa. Clique para ampliar.

* O olhar é nosso cinema autoral para o outro e em “Cicatrizes” Small parece sempre representar a fúria e as fugas dos seus pais com um par de óculos sobre os olhos. Cheios de expressão, os rostos parecem ainda mais perturbadores quando são enquadrados sem a vida das retinas.

* David Small o tempo todo nos leva aos seus sonhos, com ou sem avisos. O onírico, que talvez se apresentasse como uma saída para a crua realidade vivenciada, apenas indica que Small tem um tanto de Bergman: há bastante poesia nos sonhos, mas não é por ser poesia que ela terá de ser agradável.

“Cicatrizes” (“Stitches”)
de David Small (2010)
Editora Leya / 336 páginas / R$ 39,90

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A morte de Deus e o royale com queijo em Pulp Fiction: niilismo e símbolos vazios

- Nota do editor: Enfim trago a vocês, para comemorar a nova fase do Diversitá, este artigo sobre Pulp Fiction. Nem lembro mais quanto tempo faz que este texto foi traduzido pelo amigo Leonardo Farias. Este advogado cinéfilo parecia ter a escrita e a tradução como uma amiga íntima no fim da adolescência, quando fez essa proeza. O longo texto é um ensaio que analisa esta obra-prima de Tarantino numa perspectiva mais filosófica do que de crítica cinematográfica clássica. Por isso mesmo é bastante oportuna e profunda – tanto para quem tem interesse no filme ou em análises filosóficas sobre o mundo, a partir do cinema. O autor, Mark T. Conard é conhecido internacionalmente por sua série de livros que analisam obras audiovisuais com filosofia. Aproveitem!

Os protagonistas de Pulp Fiction
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A Manifestação do Símbolo Vazio – A morte de Deus e o Royale com Queijo

por Mark T. Conard

Pulp Fiction é surpreendente, violento e muito divertido. Mas – com seus personagens bizarros, eventos em seqüência não linear, e referências sem fim à cultura pop – sobre o que o filme realmente trata? É sobre o niilismo americano, a perda de todo o significado e valores em nossas vidas, seguindo o que Nietzsche chamou de “A morte de Deus”. Mais especificamente, é sobre a transformação de dois personagens: Jules (Samuel L. Jackson) e Butch (Bruce Willis).

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Piratas Pirados (Peter Lord e Jeff Newitt, 2012)

Os "Piratas Pirados" com seu humor nonsense

Não bastando apenas o delicioso humor nonsense que passa por praticamente todas as gags de “Piratas Pirados”, o filme ainda tem uma história no mesmo rumo. Se a exibição na sala 1 do Cinespaço não tivesse sido tão ruim no quesito sonoro, talvez o filme crescesse um pouco mais no meu gosto. O som estava muito baixo. Cheguei a ir pedir ao projecionista que aumentasse o volume e mesmo assim não foi resolvido – o que afeta bastante a experiência.

Praticamente todo o humor realmente gira em torno do inesperado, seguindo a escola cômica inglesa, obviamente. Isso gera crianças sonolentas e pais frustrados, sem dúvida. Fica a pergunta: o marketing do cinema de animação vai girar pra sempre em torno do público infantil até quando não se deve? Até mesmo os trailers que passam antes da sessão indicam que há um segmento das animações que não é feito para os pequenos: “Paranorm” e “Hotel Transilvânia” são temáticas dark pra uma criança curtir. “Piratas Pirados” constrói linhas de raciocínio que dificilmente crianças entenderão e toda sua “mise-en-scene” foge ao padrão frenético que pode animar sensivelmente a gurizada. Não os menosprezo, mas a gente sente a vibração de uma sala cheia de crianças e não os ouve rindo nas tiradas mais hilárias do filme.

Mesmo com seu enredo frouxo no todo, o filme tem algum fôlego até para críticas políticas. A crise mundial parece estar presente no momento em que o Capitão Pirata tenta assaltar vários navios, mas nenhum deles tem algum ouro que o ajude. A rainha britânica ganha cara de macaco no barco de Charles Darwin, personagem inusitado que surge na trama. O gostinho de “queremos mais disso” fica por ali e cresce a vontade de assistir o original, com Hugh Grant dublando o protagonista. Quero rever.

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